Professor confessa morte da mulher
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sexta-feira, 25 de junho de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O professor Aristóteles Kochinski Smolarek Júnior, 28 anos, admitiu pela primeira vez, ontem, que matou a mulher dele, Luciene Ribeiro de Paula. A confissão foi feita no início de seu julgamento, realizado na 2 Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, e que até o fechamento desta edição não estava concluído. Luciene, 18 anos, grávida e mãe de dois filhos foi morta em 4 de agosto de 1998, quando os dois faziam uma viagem de turismo ao Chile. O caso teve repercussão internacional porque, na época, Smolarek retornou ao Brasil afirmando, inicialmente, que ela tinha desaparecido durante a viagem.
As suspeitas de que Smolarek teria matado a mulher cresceram depois que a polícia chilena encontrou o carro, que o casal tinha alugado, queimado e abandonado. O motivo da morte teria sido um seguro de vida para o casal, no valor de US$ 250 mil, adquirido por Smolarek em 31 de julho e com vigência apenas para o período da viagem, até 9 de agosto. Smolarek foi preso dois anos após o crime, quando tentava resgatar o prêmio do seguro. Ele já estava preso há três anos na Penitenciária Estadual de Piraquara.
Em seu depoimento, Smolarek negou que tenha premeditado o crime. A argumentação da defesa foi que ele ''agiu sob domínio de violenta emoção após injusta provocação da vítima''. Interrogado pelo juiz Rogério Etzel, que presidiu o julgamento, Smolarek contou que, na noite do assassinato, eles estavam passeando por uma região de serra e decidiram parar para ver uma cidade do alto. Como fazia muito frio, eles permaneceram no carro. Luciene teria voltado a pedir que ele comprasse um apartamento e colocasse o imóvel em nome da filha dela, Vanessa, então com 9 meses. Esse assunto, de acordo com ele, vinha gerando discussão entre eles há tempo.
''Eu senti que tinha que dar uma resposta mais dura. Ela ficou furiosa, me provocou, me xingou de corno e que não queria mais ficar comigo. Foi demais para mim, a primeira cena que me veio à frente foi de um adultério, eu entrando em casa e vendo ela com outro homem''. Na discussão Luciene teria arranhado e batido nele, que, então, pegou um taco de beisebol, que estava no carro, e bateu na cabeça dela. Luciene, segundo ele, saiu correndo, mas acabou caindo em um precipício de um altura de cerca de 50 metros.
Depois do crime, ele foi a dois postos para lavar os assentos do carro, que ficaram sujos de sangue. Em um dos postos, ele teria oferecido US$ 10 mil para quem conseguisse limpar os bancos. Ao amanhecer, chegou ao hotel e perguntou por sua mulher, alegando que ela teria sumido nas ruas de Santiago. O próprio hotel comunicou a polícia sobre o suposto desaparecimento de Luciene. Sem conseguir limpar o carro, ele acabou atendo fogo no veículo. Ele contou, ainda, que com medo de ser preso, acabou antecipando em um dia seu retorno ao Brasil.


