O professor João Yunes, titular do Departamento de Sa© úde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), classificou ontem como ‘‘epidemia’’ o crescimento da participação dos homicídios em mortes de adolescentes por causas violentas no Brasil, nas décadas de 80 e 90. Ele fez essa comparação ao analisar o resultado de uma pesquisa apresentada pela Faculdade de Sa© úde Pública da USP, durante o Seminário Internacional Violência e Criança, aberto na Cidade Universitária e que terá continuação hoje e amanhã.
O ministro da Justiça, José Gregori, que participou da abertura do seminário, discordou da comparação feita por Yunes. Segundo ele, as estatísticas brasileiras têm se mantido ‘‘mais ou menos inalteradas’’ e, por isso, a seu ver, não é possível falar em ‘‘epidemia’’. Ressalvou que as estatísticas, embora ‘‘preocupantes’’, começaram a ser bem feitas nos últimos dois ou três anos e esse é mais um motivo para se prestar atenção aos resultados.
A pesquisa, com base em dados do governo federal, mostra que no conjunto de mortes com causas violentas, a participação dos homicídios entre pessoas do sexo masculino de 15 a 19 anos cresceu de 24,4% no triênio 1979/1981, para 52,9% em 1998. Nessa mesma faixa etária, para cada grupo de 100 mortos do sexo masculino, cresceram de 61,3% para 80,9% as mortes com causas violentas.
Segundo Yunes, esse cenário pode ser comparado a uma ‘‘epidemia’’ do ponto de vista da saúde pública, já que os homicídios são a principal causa de mortes entre adolescentes. Entre as causas citou drogas, desemprego, banalização da violência. ‘‘Escola e trabalho são mecanismos de proteção contra a violência’’, propôs.

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