Professor abandonou sapatos há 20 anos
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sábado, 09 de outubro de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Enquanto para uns os sapatos são objetos de desejo, para outros são item totalmente dispensável. ''São desconfortáveis, dão calor e fazem os dedos ficarem apertados'', diz o professor londrinense Rubem Cauduro, de 41 anos, que dispensa o uso de sapatos. Há mais de 20 anos, ele só ''veste'' os pés em ocasiões muito, muito especiais. Ou então, quando a ocasião é de extrema formalidade.
Cauduro conta que desde criança nunca suportou sapatos. ''Não via a hora de chegar as férias, quando normalmente íamos para a fazenda de parentes e podíamos ficar à vontade. Eu tirava os sapatos no primeiro dia de férias e só recolocava no último'', relembra. A alforria definitiva, segundo ele, foi decretada no dia em que passou no vestibular, aos 17 anos. De lá para cá, o único período em que foi obrigado a usar o acessório com mais frequência foi quando morou nos Estados Unidos, durante um ano e meio. ''Lá não tem jeito, eles são muito formais.''
No dia do casamento ele também se submeteu ao complemento para o figurino, mais por imposição do padre do que para se encaixar às convenções. Ao chegar na festa, porém, entregou imediatamente os sapatos ao garçom. O professor conta que tem um par em casa que não sabe como apareceu. ''Preciso descobrir de quem é para devolver'', brinca. Cauduro revela que não se lembra quando foi a última vez que entrou em uma loja para escolher um calçado. ''Minha mulher andou comprando uns chinelos, umas sandálias para ver se eu me acostumava, mas em cada lugar que eu chegava acabava tirando e esquecendo...''
Ele conta que entre as indagações mais frequentes das pessoas está o perigo de contaminação. ''Está provado, porém, que o maior número de contaminações acontece pelas mãos, que sem perceber levamos aos olhos, à boca.'' Nem no inverno o professor de inglês recorre aos sapatos. ''Nosso frio não é tão intenso assim'', argumenta.


