Profanado túmulo de Bubis, uma "ironia da História"
Berlim, 16 (AE-ANSA) - O governo alemão informou nesta segunda-feira (16) que a profanação, ontem, em Tel Aviv, da tumba de Ignatz Bubis, dirigente da comunidade judaica, é uma "ironia da História" e um "ato deplorável".
Bubis, falecido sexta-feira passada em um hospital de Frankfurt, pediu expressamente para ser enterrado em Israel por temer que seu túmulo fosse profanado por neonazistas alemães, como ocorrera com seu antecessor, Heinz Galinski.
No entanto, pouco antes de seus funerais solenes em Tel Aviv, um pintor israelense profanou seu túmulo - uma sepultura levantada sobre a terra - cobrindo-o de tinta negra.
O presidente alemão Johannes Rau e o chefe de estado israelense Ezer Weizman presidiram a ceremônia fúnebre e estavam a poucos passos quando Meir Mendelson atacou com um spray negro o local onde foram colocados os restos de Bubis para, segundo a tradição judaica, permanecer por 30 dias antes de sua sepultura definitiva.
Vestido de branco e com um quipá negro na cabeça, Mendelson simulara ser um rabino, afirmou uma testemunha, sobrevivente do Holocausto.
Mendelson, filho de judeus alemães, não é um pintor conhecido em ambientes artísticos israelenses e pouco se sabia sobre ele até ter realizado o ataque, que o levou às primeiras páginas dos jornais.
"Bubis era uma mancha para o povo judeu e portanto era necessário que saísse de cena com tinta negra. Era um colaboracionista", declarou Mendelson a um jornal israelense, reivindicando seu ato.
O pintor não foi preso e alguns consideraram que o episódio foi minimizado por ter sido atingida somente a terra e não a tumba definitiva de Bubis. A tinta foi rapidamente removida.





