'Proer' de cooperativas destinará R$ 2,1 bi para rolar dívidas
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 7 (AE) - Quase dois anos depois de ser lançado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop) - o chamado Proer da Agricultura - começa a apresentar resultados concretos. Cento e trinta cooperativas agropecuárias já tiveram seus projetos aprovados pelo comitê-executivo do Programa, das quais 99 já estão confirmadas em lista divulgada reservadamente pelo Ministério da Fazenda.
O Recoop vai destinar R$ 2,1 bilhões para investimentos na reestruturação das cooperativas e permitir a renegociação, por até 15 anos, de cerca de R$ 900 milhões em dívidas.
O objetivo do programa é transformar as cooperativas em empresas bem-sucedidas, e para isso estão sendo estimuladas várias medidas como fusão, incorporação e um novo modelo de gestão. Os projetos das 209 cooperativas restantes - no total são 339 - serão analisados semanalmente pelo comitê-executivo.
Segundo o coordenador do Comitê Executivo do Recoop e assessor do Ministério da Fazenda para a área agrícola, José Gerardo Fontelles, até o final do mês que vem o trabalho deverá ser concluído.
Ele informou que o governo pretende criar um sistema de controle das cooperativas para acompanhar de perto se elas estão acatando ou não as medidas de reestruturação sugeridas pelo comitê do Recoop. "Vamos tomar medidas enérgicas, pois o Tesouro vai investir R$ 2,1 bilhões no programa", assegurou.
A idéia, segundo o coordenador, é criar uma comissão nacional, integradas pelos ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Trabalho e Previdência Social e mesmo número de representantes do setor privado - do cooperativismo - para monitorar as operações das cooperativas.
Apesar de a Constituição não permitir a intervenção do governo nas cooperativas, de acordo com Fontelles o sistema de controle deverá ser criado através do Sescoop - Serviço Social do Cooperativismo, criado juntamente com o Recoop. "Se uma pequena cooperativa do interior quiser produzir leite longa vida
por exemplo, não vamos concordar, pois a atividade não seria viável", explicou.
Fontelles informou ainda que o governo pretende fortalecer o cooperativismo no Nordeste.
Reestruturação - À medida que os projetos técnicos das cooperativas participantes do programa forem sendo aprovados, elas terão suas propostas encaminhadas aos bancos para a renegociação das dívidas e análise dos projetos de investimentos pretendidos.
A aprovação do projeto técnico pelo comitê representa o enquadramento definitivo no Recoop e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) vai orientar as cooperativas no relacionamento que passarão a ter com os bancos.
Na avaliação de Fontelles, em dois meses, no máximo, os bancos deverão receber os projetos de todas as cooperativas, e um mês depois os financiamentos poderão ser iniciados.
A maior parte das 130 cooperativas já aprovadas é do Rio Grande do Sul, com 37 empresas. Em seguida vem Minas Gerais, com 22, Santa Catarina com 19, São Paulo com 16, Paraná com 10 e Goiás com oito.


