Produtos infantis no BR são menos saudáveis
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terça-feira, 10 de março de 2009
Agência Estado 
São Paulo - Fabricantes multinacionais de alimentos infantis anunciam e vendem no Brasil produtos menos saudáveis do que os comercializados na Europa e nos Estados Unidos. Visando as crianças, as companhias adotam no País publicidade muito mais permissiva do que a propaganda veiculada nas nações mais ricas.
Essas são algumas das conclusões de pesquisa inédita realizada em parceria pelo Instituto Alana e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor entre janeiro e fevereiro deste ano e divulgada ontem, em São Paulo, para pressionar o governo federal a adotar restrições para a publicidade de alimentos infantis. Entre dez multinacionais que fizeram publicidade em sites e durante programação infantil na TV ao longo do período analisado nove adotam duplo padrão de conduta. Isto é: produtos e anúncios feitos para o Brasil jamais poderiam ser veiculados lá fora, segundo a autorregulamentação que as multinacionais adotam nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo.
Isso nos parece um comportamento preconceituoso em relação à criança brasileira, afirmou Isabella Henriques, coordenadora-geral do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana.
O trio de hambúrguer, batata frita e refrigerante pequenos vendido pelo Burger King no Brasil, por exemplo, jamais poderia ser vendido pela empresa no exterior por ter mais calorias, gorduras e sódio do que o considerado saudável pela própria empresa. Aqui o lanche tem 627 kcal, contra as 560 kcal vendidas como saudáveis pela própria companhia nos Estados Unidos e Europa. Também o Danoninho daqui tem mais calorias e gorduras que o autorregulamentado lá fora por sua fabricante, apontou o estudo.
O Burger King disse que analisará a pesquisa. A Danone destacou, em nota, compromisso em fornecer produtos equilibrados e que os teores nutricionais do Danoninho estão adequados a guias nacionais.


