Produtos derivados de trigo já estão em falta em Ribeirão
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 28 (AE) - O primeiro reflexo da queda de braço entre supermercadistas de Ribeirão Preto e fornecedores já pôde ser verificado hoje pela manhã nas prateleiras com a falta de produtos derivados do trigo. Seguindo orientação da regional da Associação Paulista de Supermercadistas (Apas) e do Procon, alguns supermercados não repuseram mercadorias que tiveram seu preço reajustado por conta da desvalorização cambial. Segundo o Procon já desapareceram dos supermercados alguns tipos de macarrão, óleo de soja e até mesmo o café.
Os reajustes propostos pelos fornecedores sobre os preços dos três produtos de acordo com tabela que entraria em vigor na próxima segunda-feira variavam entre 7% e 35%. "Estamos orientando o consumidor e o supermercadista a boicotar o fornecedor que repassar os preços", afirmou o presidente regional da Apas, Edson Santana. Segundo ele, apenas as grandes redes ainda não se manifestaram a favor do boicote na região de Ribeirão, embora o Carrefour tenha anunciado em São Paulo, no fim de semana, que recusaria reajustes abusivos.
Na rede de supermercados Gimenes, por exemplo, apenas os produtos que estão nas prateleiras serão comercializados. "Suspendemos as compras até que a situação se estabilize", disse o gerente Sebastião Branquini, que se negou a comprar a farinha de trigo por um preço 10% mais alto e óleo de soja por até 30% a mais. Os fornecedores, no entanto, defendem-se. A fabricante do Macarrão Basilar, de São Carlos, divulgou nota afirmando que possui margens de lucro bastante apertadas para enfrentar a concorrência e, portanto, não havia como suspender o repasse no preço do produto.
A Cargill, fabricante do óleo Liza, o produto que mais está faltando nos supermercados divulgou que "a empresa está fazendo o possível para não repassar os efeitos da desvalorização do real", mas admite que isso será inviável, porque os preços do produto são condiconados pela cotação da soja na Bolsa de Chicago.
Para o diretor do Instituto de Economia da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, Antonio Vicente Golfeto, as primeiras reaçäes da indústria sinalizam muitas dificuldades para conter a elevação dos preços. "No caso de alguns produtos, como o óleo de soja, o consumidor tem alternativas para fugir da elevação de preços consumindo por exemplo o óleo de girassol ou outros tipos existentes no mercado. No caso da carne, que registrou 15% de aumento em média, o consumidor também tem alternativas, mas em relação ao café, por exemplo, o aumento será inevitável", acredita. Em sua opinião, a média de aumento deverá ficar em torno dos 10%. O primeiro levantamento do ano feito pelo instituto sobre os preços da cesta básica sai na próxima terça-feira.


