Natal, 07 (AE) - Produtores rurais e políticos nordestinos estão organizando o 2º Grito da Seca, um protesto contra a política de juros do Banco do Nordeste. A intenção é reunir 10 mil manifestantes sábado (10), em Lajes, a 120 quilômetros de Natal. O ato tem o apoio da Igreja Católica, da Frente Nacional de Prefeitos e funcionários do Banco do Brasil.
"Esses apoios confirmam que o grito não é um movimento de uma categoria legislando em causa própria", disse Nélio Dias
coordenador do movimento. "A agricultura nordestina virou um campo de concentração onde o Banco do Nordeste é a gestapo (polícia secreta alemã no tempo do nazismo)" enfatiza Dias, criador de cabras e presidente da Associação de Criadores de Bovinos e cabrinos da região central (ACOSC).
Dias critica a ação do banco, argumentando que a situação do produtor rural do Nordeste é de desespero. "Num pais onde a inflação chega a 70% em quatro anos e o juros do FNE - Fundo Nacional de Desenvolvimento do Nordeste, que é o mais barato, chegam a 167%. Não dá para entender."
O presidente da ACOSC acrescenta que o governo federal esvaziou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Banco do Nordeste virou um banco cearense e baiano. No Grito da Seca, Antonio Ernesto de Salvo, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, vai falar em nome dos produtores rurais.

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