Produtores rurais denunciam violência no campo e criticam governo
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quinta-feira, 06 de abril de 2000
Por João Naves de Oliveira 
Campo Grande, 07 (AE) - Mais de mil produtores rurais lançaram hoje, em Campo Grande, uma campanha nacional contra a violência no campo. No evento foi lida uma carta, que será entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual afirmam que os proprietários da faixa de fronteira estão apavorados com o aumento da violência na área. Eles criticam o governo, afirmam que os sem-terra fazem o que querem e cobram do presidente as mesmas providências tomadas quando da invasão de sua fazenda.
O senador Ludio Martins (PSDB) disse faltar boa vontade do governo do Mato Grosso do Sul para solucionar o problema. "Nos Estados onde a polícia está agindo contra os desmandos dos sem-terra, a violência está caindo verticalmente. No Paraná por exemplo, existiam 95 invasões de fazendas por ano, este ano não houve nenhuma", lembrou o senador.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do MS, Paulo Corrêa, muitos fazendeiros também colaboram para o aumento da violência no campo. "Os fazendeiros oferecem suas terras diretamente ao sem-terra ou ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, desrespeitando entidades e organizações que existem para cuidar da venda desses imóveis" afirmou.
O deputado estadual Antônio Carlos Arroyo lembrou que das 35 fazendas invadidas no MS desde agosto do ano passado ainda há 14 mandados de despejo para serem cumpridos e aconteceram três reocupações de terra.
Isonomia - Na carta encaminhada a FHC os produtores destacam que "na invasão da fazenda de seus filhos, presidente, o senhor providenciou tropas para que a baderna não se instaurasse. Queremos tratamento igual, pois todos são iguais perante a lei". Depois afirmam que os sem-terra são sem leis, porque estão provocando saques, destruições e roubos em propriedades rurais sem a menor punição. "Os agricultores e pecuaristas descapitalizados, ameaçados, com o desânimo na alma, dívidas crescentes, estão querendo mudar de atividade ou de país. Como produzir alimentos com esta balbúrdia?".
A carta faz duas perguntas a FHC. "Se vossa excelência em seu livro "O presidente segundo o sociólogo" diz que o Incra é corrupto, como pode então injetar nesse órgão US$ 11 bilhões?" "E este outro órgão, o Ibama, que é dominado pelas ONGs internacionais e maioria de esquerda?"


