Produtores rurais chegam a Brasília para protesto
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Renato Andrade 
Brasília, 15 (AE) - Produtores rurais do Distrito Federal concentraram-se hoje à tarde em Brasília, onde promovem nesta terça-feira, na Esplanada dos Ministérios, uma manifestação contra a política agrícola do País. A coordenação do movimento promete colocar cerca de 15 mil manifestantes na Esplanada. A primeira parte do comboio a chegar à capital federal trouxe cerca de 70 veículos entre caminhões, tratores e colheitadeiras, vindos das regiões de Tabatinga e Rio Preto, no Distrito Federal. Estava prevista a chegada de outros 80 veículos no início da noite de hoje, vindos de outras regiões do DF. Segundo Wilmar Luis da Silva, diretor do Sindicato Rural do Distrito Federal, os manifestantes que estão vindo de outras regiões do País devem chegar à Brasília na noite desta segunda-feira. "Estaremos estacionados com os ônibus, caminhões e tratores em frente ao Congresso na madrugada desta terça-feira", disse.
Os produtores rurais que estão vindo de outros Estados ficarão concentrados em três pontos no entorno de Brasília até o início da noite desta segunda-feira, quando começam a entrar no Plano Piloto. Os manifestantes que estão vindo no comboio liderado pelos gaúchos chegarão pela BR 040. Junto com os produtores do Rio Grande do Sul estarão agricultores do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Pela BR 060 chegarão os produtores de Mato Grosso e Goiás, que ficaram concentrados hoje em Goiânia. Produtores vindos do sul da Bahia e oeste de Minas estarão concentrados no município de Formosa, a cerca de 40 quilômetros de Brasília. Eles entrarão na capital federal pela BR 020. "Vamos entrar no Plano Piloto depois das 20 horas", garantiu Wilmar Luis Silva. Ao todo está prevista a entrada de 1,5 mil caminhões, 300 ônibus e 700 tratores.
De acordo com o Comando Geral da Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 1,4 mil homens estarão trabalhando nesta segunda-feira durante a chegada dos produtores. Apesar do secretário de Segurança Pública do DF, Paulo Castelo Branco, ter declarado que não permitirá a entrada dos produtores na Esplanada, as lideranças do movimento insistem que não serão barrados. O presidente do Sindicato Rural do DF, Nuri Andraus, garantiu que não haverá problemas para os moradores da cidade. "Nossa proposta já foi entregue para a PM, não iremos impedir a movimentação de veículos pela Esplanada", disse.
Os agricultores que chegaram hoje a Brasília insistem que o projeto de lei defendido pela bancada ruralista não representa um simples pedido de perdão da dívida. "Não queremos perdão da dívida, queremos apenas condições para pagarmos os empréstimos feitos", alegou Romeu Kolling, produtor da região de Tabatinga. Kolling fez um empréstimo de R$ 80 mil no ínicio da década. Apesar de já ter quitado um montante de R$ 55 mil, ainda conta com um saldo devedor de R$ 300 mil. "O rebate de 40% no total das dívidas permitirá equalizar o valor devido que foi muito alterado em consequência da política econômica do governo Fernando Henrique", justificou Wilmar Silva, do Sindicato Rural do DF. A proposta prevê ainda quatro anos de carência e 20 anos de prazo para pagamento.


