Produtores protestam e dão alimentos em Londrina
Cláudia Barberato
De Londrina
Produtores do Sindicato Rural de Londrina fizeram ontem a distribuição de 20 mil quilos de alimentos para a população, no prédio da antiga Londrimalhas, na avenida Tiradentes, zona oeste da cidade. A distribuição foi um protesto contra os fornecedores de insumos agrícolas. Ontem seria realizado o Dia D Agronegociação, promoção do Sindicato Rural de Londrina, envolvendo cerca de 55 municípios do Paraná.
O evento foi cancelado porque os fornecedores de insumos se recusaram a participar da negociação. Eles alegaram que venderam insumos em reais e pagaram em dólar e, por isso, estariam inadimplentes junto às multinacionais produtoras de insumos. Outra justificativa foi que teriam que arcar com a despesa de R$ 1 mil para montar os estandes no Dia D. O Sindicato, diante disso, propôs a participação no evento a custo zero e, mesmo assim, no dia 16, os fornecedores avisaram que não viriam, disse Edison Mazei Ponti, presidente do Sindicato Rural de Londrina.
Com o Dia D, segundo Ponti, o Sindicato Rural pretendia criar uma forma de aproximar as revendas dos agricultores e negociar melhor os preços dos insumos. Comprando em escala é possível reduzir o preço dos insumos, investir mais em tecnologia, na produção de alimentos e na qualidade dos produtos. Com isso, os produtores podem até trabalhar com uma pequena margem de lucros, o que não acontece hoje.
Além dos produtores e fornecedores, o Banco do Brasil participaria da negociação com uma linha de crédito inicial de R$ 5 milhões para a compra de insumos. Em Londrina, por exemplo, a necessidade para o plantio de mais de 20 mil hectares de soja, que são cultivados no verão, seria de 9.824 toneladas de fertilizantes, 36 mil sacas (50kg) de sementes, 162 mil litros de herbicidas e 75 mil litros de inseticidas. Esse montante é referente à área cultivada por 231 produtores inscritos na negociação.
Equanto o produtor negociava com a empresa e o banco, o restante da família poderia se divertir nas barracas de alimentos, exposição de animais e flores, no que seria uma grande festa. Mas os fornecedores não vieram e foi uma grande frustração, disse Ponti. Segundo ele, a expectativa era reunir 2.500 pessoas no Dia D, que seria realizado das 8 às 22 horas.
Na opinião de Ponti os produtores saíram fortalecidos, já que a partir de agora farão as compras da safra de verão em conjunto. Nos próximos dias estarão publicando um edital de concorrência para compra de insumos através dos jornais.
Almoço pronto Suzana Regina de Jesus, moradora da região oeste de Londrina, nas proximidades de onde aconteceu o protesto, ficou na fila junto com a mãe e irmãs, para pegar os alimentos. Fiz a feira hoje e economizei uns R$ 20,00 ou mais. Suzana pegou duas galinhas que serão feitas no almoço de hoje, legumes para a maionese e ainda as frutas para sobremesa.
O presidente do Sindicato Rural de Sertanópolis, Antônio Osvaldo Terassi, afirmou que o objetivo era conseguir junto aos fornecedores margens mais acessíveis dos insumos, compatíveis com a realidade do produtor, especialmente o pequeno.
Terassi garante que hoje o produtor trabalha sem margem de lucro ou até paga para produzir. Ninguém trabalha sem margem de lucro. Atualmente, o produtor usa menos tecnologia, produz menos, tem menor qualidade no seu produto e, consequentemente, menor oferta à população. A proposta do Dia D era para acontecer o inverso.Distribuição foi feita em protesto contra revendedores, que se negaram a participar de um dia de negociação de insumos agrícolas
César AugustoAlmoço garantido Moradores da região oeste de Londrina receberam frutas, legumes e aves no protesto promovido por produtores





