Produtores pedirão novo prazo para dívida, pelo 3º ano seguido
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 25 (AE) - Pelo terceiro ano consecutivo, os produtores rurais vão pedir ao governo a prorrogação do pagamento da parcela anual da securitização das dívidas do crédito rural que vence em outubro. Segundo o vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Bosco Umbelino, mais uma vez os produtores não têm renda para honrar o compromisso pois, apesar da colheita "fantástica" da safra de grãos 1998/99, a conta do agricultor "não fechou".
"Em geral, o produtor está empatando ou perdendo até 5% de renda", afirmou Umbelino, que coordenou hoje reunião da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, para a discussão do próximo plano de safra 1999/2000.
A proposta da CNA de prorrogação do pagamento da securitização tem o apoio da bancada ruralista no Congresso, que vai reunir-se amanhã (26) para tratar do endividamento do setor rural. A parcela anual da securitização das dívidas agrícolas, renegociadas de sete a dez anos, é de cerca de R$ 700 milhões.
Segundo o vice-presidente da CNA, a situação do produtor só não está pior porque a desvalorização cambial amenizou um pouco os efeitos da queda dos preços.
Recursos - Umbelino prevê que não haverá crescimento da área plantada de grãos na próxima safra e criticou o governo por anunciar um volume de recursos para o crédito rural que não corresponde à realidade. "Na safra passada o governo anunciou R$ 11,3 bilhões e estima-se que apenas cerca de R$ 8 bilhões foram emprestados aos produtores", afirmou.
Para esta próxima safra, em que o governo está sinalizando com um volume de recursos de R$ 12 bilhões a CNA trabalha com a liberação, de fato, de cerca de R$ 9 bilhões. "O governo precisa cumprir o que promete, não é apenas anunciar", ressaltou.
Outra queixa da CNA é que os recursos do crédito rural não saem na hora necessária. "Em julho já começamos a adquirir insumos e não podemos mais ter liberação de recursos em dezembro e janeiro como na safra passada."
Umbelino informou ainda que a CNA, pela primeira vez, está alertando aos produtores de todo o País sobre os custos reais de produção e a expectativa de renda. "Não vamos dizer para ninguém plantar ou deixar de plantar, mas é preciso avisar que os preços internacionais das principais commodities são os mais baixos dos últimos 23 anos e que o mercado está difícil", observou.
Juros - A CNA defende uma redução das taxas de juros nos financiamentos do crédito rural da próxima safra de 8,75% para 6% ao ano e mudanças no atual Proagro (seguro agrícola). Segundo Umbelino, é preciso ter um seguro "mais adequado". Ele citou pesquisa da CNA em que 87% dos produtores consideraram que o Proagro ficou mais burocratizado com o zoneamento agrícola, que indica as melhores datas e sementes para plantio em cada micro-região do País.
Todas as propostas da CNA para a safra 1999/2000 deverão ser apresentadas ao governo na quinta-feira, segundo Umbelino.
Ele defendeu os contratos de opção para todas as culturas, como o mecanismo mais adequado para a comercialização da safra, e disse que o Brasil precisa seguir o modelo de mercado futuro que vem sendo adotado no mundo, onde o produtor "vende para plantar e não planta para vender".


