Produtores de suínos alertam para crise sem precedentes
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 24 (AE) - A Associação de Produtores de Suínos da Argentina (AAPP, por sua sigla em espanhol) alertou o governo para a possibilidade de que 20% dos produtores abandonem a atividade ainda este ano. No total, seriam 600 produtores atingidos. A AAPP afirma que a causa da crise é a importação de suínos do Brasil e da União Européia (principalmente da Dinamarca), que entrariam subsidiados e com menores preços que os locais. No momento, 45% do consumo argentino de carne de porco é de produtos importados. Entre 1990 e 1998, as importações suínas cresceram de 1.945 toneladas para 71.198 toneladas. Do total de importações suínas, o Brasil participou em 1999 com 64%, e a Dinamarca com 14%.
Os produtores pedem medidas contra os suínos brasileiros, cujo preço caiu graças à desvalorização do real. O presidente da AAPP, Juan Ucelli, declarou à imprensa que são necessárias medidas urgentes, pois além dos pequenos produtores, a entrada de suínos brasileiros já está prejudicando os grandes produtores.
O secretário da AAPP, Andrés Moore, afirmou que suspeitam que a carne suína made in Brazil poderia não estar livre de aftosa, e que não estariam sendo cumpridas de forma correta as verificações sanitárias necessárias. Os produtores também alertam para a importação de animais da Dinamarca, cujas vendas para a Argentina cresceram 119% em 1999.
Nos próximos dias o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agro-alimentar (Senasa) apresentará os resultados de sua avaliação do risco de sanidade de cada país que exporta frangos para a Argentina. O Senasa está averiguando a presença da doença de Newcastle nos frangos que entram no país. Essa doença causa problemas respiratórios nos animais, causando sua morte. No Brasil, os estados do sul estão livres dessa doença. No entanto, o governo argentino poderia considerar que existe a doença no Brasil, de forma a complicar a entrada de frangos brasileiros.
Analistas consideram que além das acusações de dumping, esta medida seria outra manobra do governo para dificultar a importação das aves provenientes do Brasil, já que são constantes os protestos dos produtores locais, que alegam que existe uma "invasão" destes galináceos.
Fontes diplomáticas analisaram a medida, e disseram à Agência Estado que antes de divulgar a lista de países, o governo argentino esperaria a visita do ministro da Agricultura do Brasil, Marcus Pratini de Moraes, para negociar.
O ministro chega este fim de semana à Buenos Aires. Na segunda-feira, será recebido pelo Grupo Brasil, associação que reúne 193 empresas brasileiras instaladas na Argentina. Durante a tarde, o ministro terá um encontro com o secretário da Agricultura argentino, Antonio Berhongaray. Na terça-feira, Pratini de Moraes se reunirá com o Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (COSAV). Está prevista, embora não confirmada, a participação dos ministros e secretários da Agricultura dos países do Mercosul, além da Bolívia e Chile.


