Produtores de longa-vida propõem selo de qualidade
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sexta-feira, 02 de novembro de 2007
Clayton Freitas<br>Folhapress 
São Paulo- A ABLV (Associação Brasileira de Leite Longa Vida) afirma ter sido vítima de uma fraude provocada pelos produtores de leite cru, matéria-prima para a produção do leite longa vida.
Ontem, a associação detalhou o processo de produção do longa vida, desde o recebimento do produto --cru-- até o seu envase. Segundo o vice-presidente da entidade, Laércio Barbosa, até hoje não há nenhum laudo conclusivo que ateste a presença de água oxigenada ou soda cáustica no leite longa vida. ''A fraude aconteceu na matéria prima (leite cru), e as empresas que compraram são apenas vítimas.''
Barbosa disse ainda que toda a culpa pelas irregularidades recaem sobre os produtores de leite longa vida. No entanto, segundo ele, não existe fraude sanitária provocada intencionalmente pelos produtores. Ele não descarta, entretanto, fraude econômica, por parte de algumas empresas. ''A pirataria e a fraude acontecem em qualquer setor'', disse.
Segundo ele, o intuito da ABLV é de criar um selo de qualidade aos moldes da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) para o leite.
O doutor em ciência dos alimentos da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) Paulo Henrique Fonseca da Silva defendeu que novos testes sejam criados para averiguar a qualidade do produto final.
De acordo com Silva, os peritos precisam se debruçar para modificar os métodos oficiais de analise do leite. Ele afirma que o método atualmente empregado para verificar a alcalinidade do leite só serve para a matéria prima, e não para o produto final.
Ele ressalta que não existe um teste específico para detectar a presença do hidróxido de sódio no leite. De acordo com Silva, o teste seria importante para detectar a presença de soda cáustica.


