Produtores de fumo invadem pátio da Souza Cruz no Sul
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 18 (AE) - Representantes de produtores e indústrias fumageiras não chegaram a um acordo na reunião que terminou no fim desta tarde em Santa Cruz do Sul (RS), depois que 2 mil agricultores invadiram o pátio da Souza Cruz hoje de manhã. O Sindicato das Indústrias do Fumo (Sindifumo) não aceitou o pedido de reajuste nos preços do produto encaminhado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul) e os manifestantes pretendem passar a noite no local.
Os fumicultores querem um reajuste da ordem de 25% sobre os preços atuais. De acordo com eles, as indústrias foram beneficiadas pela desvalorização cambial, pois exportam 60% das mais de 400 mil toneladas de fumo produzidas nos três Estados do Sul, e agora devem dividir uma parte dos ganhos com os produtores. "Não há espaço para negociar preço", afirmou o presidente do Sindifumo, Cláudio Henn.
Ele disse que o preço internacional do fumo está 15% a 20% menor do que no ano passado. Esta retração, associada a uma carga tributária calculada em 4,5% e ao aumento dos combustíveis
anularia os efeitos positivos da desvalorização do real, garantiu. "Vamos ver quem vence esta queda de braço", respondeu o presidente da Fetag-RS, Heitor Schuch.
De acordo com ele, os produtores permanecerão no pátio da Souza Cruz apesar da liminar de reintegração de posse obtida pela empresa na Justiça. O dirigente fez um contato com o secretário da Agricultura do Estado, José Hermeto Hoffmann, que deverá visitar o local amanhã (19).
Schuch informou que os produtores estão recebendo, em média, R$ 1,74 pelo quilo do fumo Virgínia, mas Henn disse que o valor é de R$ 1,85. O preço base negociado para o produto no final do ano passado foi R$ 2,10, mas não vem sendo pago em função de um sistema de classificação "excessivamente rigoroso", afirmou o presidente da Fetag.
Para o dirigente do Sindifumo, os custos de produção dos produtores, apurados por representantes das duas partes no ano passado, são de R$ 1,55 o quilo, o que significaria que os agricultores estão com um "bom lucro". Schuch, ao contrário, disse que este valor está defasado em função da alta dos insumos registrada a partir de novembro de 1998.
Na reunião de hoje, o Sindifumo sinalizou apenas com a possibilidade de antecipar um encontro marcado para o início de abril com a finalidade de fazer uma "análise" do setor. Henn revelou que a indústria admite participar de um programa de apoio aos produtores que eventualmente viesse a ser desenvolvido pelo estado, mas ressalvou que não negocia sob pressão.
"Noventa e quatro por cento dos 74 mil fumicultores do Rio Grande do Sul são agricultores familiares e, portanto, eles se enquadram nas prioridades deste governo", comentou.


