Produtores de feijão de SP querem renegociar dívidas
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba (SP), 30 (AE) - Produtores de feijão do sudoeste de São Paulo, que responde por 65% da produção do estado, alegam prejuízos com a safra da seca, em fase final de colheita, e querem renegociar as dívidas com os bancos. "Vamos encaminhar uma proposta de renegociação às autoridades", disse o presidente do Sindicato Rural de Itararé, Isac Pinto.
Segundo ele, o preço do feijão despencou de R$ 65,00 a saca de 60 quilos no final do ano passado para R$ 30,00, preço atual. A queda deveu-se à entrada do feijão irrigado de outras regiões, como o Paraná e a Bahia.
Além disso, a estiagem que atingiu as plantações do sudoeste na fase de desenvolvimento das culturas causou uma perda de 20% a 25% na produtividade. O rendimento médio, de 20 sacas de 60 quilos por hectare, ficou abaixo do esperado. A região plantou cerca de 65 mil hectares nesta safra.
O maior problema, segundo ele, foi a elevação no custo da produção. "O custo por hectare ficou entre R$ 2 mil e R$ 2,1 mil, o que exigiria uma produção mínima de 70 sacas por hectare." Uma das razões para isso, segundo o dirigente rural, foi a desvalorização do real frente ao dólar. "Como parte dos insumos é importada, os fabricantes e comerciantes elevaram os preços em até 60%."
Muitos produtores da região estão insolventes e colocaram terras à venda, segundo Pinto. "Se não houver a negociação dos débitos, os agricultores quebram e os bancos também vão perder o dinheiro que emprestaram", previu.
Segundo ele, o pedido de prorrogação incluirá os débitos atingidos pela securitização - dívidas já renegociadas. "Os produtores plantaram feijão para pagar a securitização", disse. O sindicato está recomendando aos produtores que deixem de plantar feijão e passem a cultivar soja. "Quem plantou soja está colhendo bem e com lucro", disse.


