Produtores de comida kosher olham além dos mercados internacionais
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Claude R. Marx 
Mifflintown, Pensilvânia (AE-AP) - Localizados no meio de uma região agrícola, esta comunidade está na linha de frente na batalha pelos estômagos dos "carnívoros" de todas as procedências. É aqui onde a Empire Kosher Poultry Inc., a maior produtora de aves e derivados kosher dos EUA, está crescendo ao aproveitar o crescente interesse por comida kosher entre os não judeus.
Pesquisas indicam que "uma grande variedade de pessoas são bastante receptivas à idéia de comer comida kosher", disse Michael Strear, presidente e chefe-executivo da Empire.
Os resultados das vendas provam que a ânsia por produtos kosher são um bom negócio. Os americanos consumiram US$ 45 bilhões em produtos kosher no ano passado, incluindo salgadinhos
sucos e refrigerantes e até mesmo cerveja, uma alta de 29% em relação aos US$ 35 bilhões de 1996, de acordo com a Integrated Marketing Communications, uma companhia de marketing de Nova York especializada em comida kosher. Eles acreditam que no ano 2000 as vendas atingirão a marca de US$ 55 bilhões.
Mas a comida kosher ainda representa uma parte muito pequena do mercado alimentício. A Empire detém aproximadamente 60% do mercado de aves kosher, mas isso representa menos de 1% de todas as vendas de aves. As leis kosher, apresentadas no livro de Leviticus na bíblia, especificam como os animais devem ser mortos e preparados para consumo. Todos os judeus ortodoxos e alguns conservadores e reformistas seguem estas leis. Para que a carne seja kosher, os animais não podem ser entorpecidos antes do abate, que deve ser realizado por um rabino. Depois da morte, o animal deve ser imerso em sal por uma hora para remover todo o sangue e então, lavado em água fria.
A Empire, que processa em média 120 mil frangos e 15 mil perus por dia, emprega 80 rabinos ortodoxos, que trabalham nos vários estágios do processo de produção. Eles vêm de ônibus de Baltimore, Nova York e Filadélfia todo domingo e permanecem nos dormitórios da empresa até a noite de quinta-feira. A fábrica é fechada durante o Shabat, o sábado judaico, que vai do pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado.
Os rabinos só abatem as aves após inspecioná-las. Algumas vezes recusam animais que passaram pela inspeção do Departamento de Agricultura Norte-americano. A sala de orações fica na saída da fábrica.
Companhias como a Empire enfatizam que o processo kosher é uma tradição religiosa em prática há mais de 3 mil anos. Mas eles acreditam que o mercado entre a comunidade judaica está saturado e acreditam no potencial de vendas entre muçulmanos, adventistas do sétimo dia, vegetarianos e consumidores interessados em comida saudável. A empresa iniciou uma campanha publicitária em todo o país. "Estamos tentando nos manter uma companhia kosher e cruzar os mercados em que religião não é um fator determinante", disse Strear. Pesquisas recentes mostraram que uma grande variedade de consumidores podem ser receptivos a este tipo de produtos.
Os judeus representam quase 20% dos 10 milhões de consumidores de comida kosher de acordo com a IMC. Os muçulmanos e os membros de outras religiões com restrição alimentar são responsáveis por 30%. Vegetarianos e consumidores intolerantes ao leite respondem por 25% e os 25% restantes são compostos por pessoas que preferem os produtos kosher porque ele podem ser mais saudáveis.
Os fabricantes percebem este fator como algo que pode acelerar as vendas. Mas Joe Reganstein, docente de ciência alimentar da Universidade de Cornell, disse que o fator saúde pode ser superestimado. "Existe a idéia de que kosher significa limpo e saudável. Na verdade, a forma como muitas pessoas definem estas palavras é uma questão de argumentos e distinções jurídicas", diz ele. "Há um pouco de mitologia e um pouco de realidade nestas definições". Leigh Platte, gerente de marketing da National Foods, empresa de Nova York que fabrica os produtos Hebrew National, em sua maioria cachorro-quentes e guloseimas, disse que a companhia tira proveito do fator qualidade mesmo que muitos consumidores não saibam exatamente o significado da palavra kosher. "Nós queremos que as pessoas entendam que kosher quer dizer melhor qualidade. Ninguém está interessado nos detalhes", diz ele. A Hebrew National, que expandiu sua distribuição além do mercado tradicional há três anos, lançou sua primeira campanha publicitária em maio e está buscando novas formas de aumentar sua fatia no mercado.
Platte disse que a companhia está em negociação com uma rede de restaurantes fast-food, da qual ele não revelou o nome, sobre a possibilidade de abertura de uma unidade para a venda de comida kosher.


