Produtores de cana do Pará querem privatizar usina
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domingo, 31 de outubro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 01 (AE) - Produtores de cana-de-açúcar da usina Abraham Lincoln, administrada há 15 anos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Medicilândia, na região cortada pela rodovia Transamazônica, no sudoeste do Pará, estão exigindo do governo federal a privatização do projeto. Eles estiveram no final da semana passada no gabinete do presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho, pedindo que este intervenha junto ao governo federal para evitar a "falência definitiva da usina".
Barbalho criticou a situação do projeto, que no início dos anos 80 chegou a ser privatizado, mas acabou voltando às mãos do governo em razão de diversas irregularidades. Hoje a questão se arrasta na Justiça Federal, onde a Conam, antiga proprietária, reivindica indenização.
O senador paraense prometeu aos produtores de Medicilândia pressionar o governo a encontrar uma solução que evite o desemprego de milhares de famílias na região da Transamazônica, que dependem do plantio e moagem da cana para sobreviver.
A usina produz anualmente 90 mil toneladas de açúcar e 1 8 milhão de litros de álcool, vendidos principalmente nos Estados do Pará e Amazonas. A produção do ano passado foi perdida devido à falta de recursos, bloqueados pelo governo depois que este descobriu várias irregularidades na administração do projeto. Os funcionários do Incra envolvidos foram afastados e estão respondendo a inquérito.
O governo despeja todo ano cerca de R$ 8 milhões para sustentar um projeto que não lhe dá um centavo de lucro. Os produtores de cana com os quais o Incra mantém contrato alegam estar sofrendo prejuízos e querem ser indenizados. "É um projeto que vem capengando há muitos anos e que nunca recebeu um tratamento correto por parte do governo, que só produz soluções paliativas", reclama o produtor e ex-prefeito de Medicilândia, João Batista Barbieri.
Ele reclama da burocracia do governo e cobra a liberação de R$ 1,070 milhão, retido no Ministério da Fazenda, que serviria para garantir parte da colheita e moagem da cana ainda este ano."Os recursos que liberamos foram destinados à safra efetivamente moída", justificou o representante do Ministério da Fazenda, Luiz Milton.


