Recife, 02 (AE) - Os fornecedores de cana-de-açúcar desistiram, pelo menos por enquanto, de paralisar o Porto de Suape e de interditar as estradas com o produto a fim de pressionar o governo federal a retomar o repasse do subsídio da cana - suspenso em maio depois de denúncias de fraude até agora não confirmadas. Eles decidiram, em assembléia ontem à noite, aguardar uma conversa com o presidente Fernando Henrique, na próxima semana, negociada pelo governador Jarbas Vasconcelos (PMDB).
O encontro poderá resultar numa saída para a crise dos produtores de cana que garantem não ter condição de continuar a atividade sem o subsídio (R$ 5,07 por tonelada de cana). O movimento dos fornecedores inclui os Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas e representa, segundo a categoria, 20 mil fornecedores, 96 unidades de produção de açúcar e álcool e 300 mil canavieiros.
Na terça-feira eles colocaram 200 caminhões e tratores nas ruas do Recife numa carreata de protesto pela suspensão do subsídio que faz parte do Programa de Equalização de Custos da Cana. O subsídio representa 27% do valor de venda da cana às usinas, segundo o presidente da Federação Nacional dos Plantadores de Cana, Antonio Celso Cavalcanti, e existe para equalizar os custos do produto, que tem menor produtividade na região. A média nordestina é de 55 toneladas/hectare, devido ao clima e topografia, contra 100 toneladas/hectare do Sul.
"Sem esse repasse, 37 milhões de toneladas do produto - 12% da produção nacional - podem deixar de ser colhidas e industrializadas nesse ano", afirma ele.

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