Brasília, 21 (AE) - O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cesar Samico
informou hoje que os países produtores de café decidiram adotar uma política para reter entre 20 milhões a 25 milhões de sacas de café até junho do ano que vem, com o objetivo de elevar os preços do produto no mercado internacional. A decisão, segundo ele, foi adotada pelos países membros da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), realizada na sexta-feira passada, em Londres. "Em 15 dias a APPC apresentará um estudo sugerindo os mecanismos, preços e prazos que deverão ser adotados na retenção do café", afirmou.
Samico explicou que a política de retenção de café tem como objetivo provocar a alta de preços do produto no mercado internacional, atualmente em baixa. Durante a reunião da APPC, segundo ele, também ficou definido que o estudo a ser feito pela entidade apresentará sugestão sobre preço - uma espécia de gatilho - a ser usado como referência para a liberação ou não dos estoques. O mais provável, conforme ele, é de que a política de retenção de preços para o café entre em funcionamento no final de março ou início de abril.
O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura explicou que a baixa nos preços do café não corresponde à realidade física de oferta do produto atualmente e nem a expectativa futura, uma vez que Brasil e Colômbia - dois maiores produtores mundiais - terão quebra de safra neste ano. Ele lembrou que a safra brasileira de café, prevista inicialmente para 35 milhões de sacas, deverá ficar abaixo de 28 milhões de sacas, enquanto a safra da Colômbia, estimada em 12 milhões de sacas, ficará em torno de 9 milhões de sacas.
Samico explicou ainda que a oferta da safra de café do México, de 5 milhões de sacas, que entrou no mercado em janeiro e foi vendida quase que praticamente para os Estados Unidos, também contribuiu para derrubar os preços. "O mais provável é que em junho próximo haja escassez de café no mercado mundial", afirma, lembrando que a oferta mundial de café também deverá ser restrita no ano que vem, quando a safra brasileira será menor que a deste ano.
O governo brasileiro adotará financiamentos para pré-comercialização de café para fazer a retenção do produto. Nesse sentido informou que o Fundo Nacional do Café já conta com R$ 500 milhões para emprestar aos cafeicultores. Esta quantia, conforme ele, permitirá a estocagem de 5 milhões de sacas, o que permitirá que os produtores aguardem melhores preços para vender a produção.
Samico informou que o aumento dos preços do café não afeta o mercado interno, que consome o produto proveniente de antigos estoques do governo. Nesse sentido informou que no próximo dia 23 serão leiloadas 180 mil sacas de café, pelo sistema eletrônico do Banco do Brasil. Este é o volume de oferta semelhante a outubro/novembro do ano passado.
Inialmente o governo havia pensado em ofertar até 300 mil sacas de café mensais, mas desistiu porque no último leilão, realizado em 27 de janeiro passado, foram compradas apenas 51% da oferta realizada.

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