Produtores de café prosperam na Indonésia apesar da crise
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Lewa Pardomuan, da REUTERS (assinatura obrigatória) 
Sidomulyo (AE-REUTERS) - Nem todos os indonésios sofreram tanto com o colapso econômico em seu país. Na verdade, os produtores de café estão indo muito bem. No começo de 1980, fazendeiros vivendo nesta quieta vila indonésia eram pobres demais para comprar o fundamental arroz. Ao invés disso, eles comiam raízes secas, que cultivavam em suas fazendas. Então o café começou a mudar suas vidas.
"Nós vivíamos em um abrigo com um telhado de sapé. Mas agora, mesmo durante a crise econômica, estamos sobrevivendo", disse Masduki, um cafeicultor de Sidomulyo, que fica cerca de 230 quilômetros ao leste de Surabaya, a capital da província de Java Leste.
Graças à queda maciça da moeda indonésia nos últimos dois anos
os produtores de café recebem agora mais rupias por seu produto
que tem o preço cotado internacionalmente em dólares norte-americanos. "Nos sentimos abençoados durante a crise. Quando temos convidados podemos facilmente ferver água para eles porque temos um aquecedor a gás. Pudemos comprar uma televisão também", disse Masduki, usando um sarong roxo claro e um songkok (chapéu tradicional) preto, dentro de sua casa de tijolos perto de sua plantação de café. Casas com telhado de sapé se tornaram coisa do passado em Sidomulyo.
"No passado, ninguém desta vila teria dinheiro para fazer a peregrinação (haj) para Meca. Agora, eles têm o suficiente. Pretendo fazer a viagem assim que Deus quiser", disse o pai de 59 anos de duas crianças enquanto traga um cigarro de palha.
Há cerca de 5 mil famílias em Sidomulyo, uma vila em Jember - a principal área de plantações de café em Java Leste - e a maioria delas planta café. Masduki tem 3.200 pés de café robusta em uma área de dois hectares e atualmente lidera um workshop comunitário. "Um dia quero me tornar um exportador", ele disse. Os fazendeiros também estão produzindo mais café.
A lavoura de café da estação (outubro-setembro) de 1998/99 deve ultrapassar 400 mil toneladas, comparado às 360 mil toneladas estimadas para o ano anterior. O café também é plantado em Sumatra, a principal área em crescimento da Indonésia.
Quando Masduki começou a plantar café robusta em sua vila em 1981, os fazendeiros receberam apenas 1.500 rupias por quilo. No começo da crise econômica em 1997, a rupia era comercializada a 2.400 por dólar e o quilo do café passou a custar entre 4 mil e 5 mil rupias. Os preços do café continuaram a subir conforme a economia deteriorava. O preço atual é 15 mil rupias por quilo, com a rupia atingindo 8.800 em relação ao dólar. "A crise se tornou o melhor momento para promover o agribusiness... Ela deve mudar toda a impressão negativa sobre a agricultura", disse Handri Suwasono, presidente do escritório de plantação da administração Jember. "No passado, as pessoas queriam apenas lidar com negócios como propriedade. Mas o agribusiness sobreviveu durante a crise", ele disse.
As plantações em Jember cobrem uma área de 15.675 hectares. Seus 20 mil fazendeiros são donos de cerca de 4.200 hectares, enquanto o resto pertence a companhias estatais e privadas de plantação.
A Indonésia é um dos maiores produtores de café, cacau, borracha, pimenta e óleo de palmeira do mundo, mas é apenas durante a crise - que atingiu os setores secundários e terciários - que as pessoas começaram a perceber a importância do agribusiness.
Durante o mandato do ex-presidente Suharto, a Indonésia lutou muito para se tornar um país industrializado e negligenciou a agricultura. Suharto foi forçado a renunciar em maio do ano passado em meio a sangrentos protestos em Jacarta que mataram 1.200 pessoas.
No entanto, a Indonésia nunca negligenciou totalmente a produção agrícola, e o renascimento recente também beneficiou os oficiais responsáveis por espalhar especialistas entre os fazendeiros. "Os fazendeiros virão a nós e reclamarão se não formos tão ativos em ensiná-los como tomar conta de seu café", disse Husni Thamrin, um dos oficiais contratados pelo governo local para educar os fazendeiros de café em Jember.
"Hoje, nossos ganhos adicionais vêm do trabalho conjunto com os fazendeiros. Eles nos darão uma gorjeta se nós lhes dermos informações sobre preços e outras coisas", ele disse. Sendo serventes civis, o salário dos educadores é de apenas 200 mil rupias por mês, enquanto um plantador de café pode ganhar até um milhão de rupias por mês.


