Produtores de café criticam proposta brasileira na OIC
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por João Fábio Caminoto e Fredy Krause 
Londres, 24 (AE) - A proposta apresentada pelo Brasil, de criação de um fundo de promoção do café na Associação dos Países Produtores de Café (APPC), é uma demonstração clara da insatisfação do governo brasileiro com a atuação da Organização Internacional do Café (OIC), que reúne países importadores e exportadores do produto. Alguns dos participantes da reunião da OIC, que terminou hoje em Londres, qualificaram a proposta brasileira como uma "facada nas costas" da entidade. Outros, disseram que isso integraria uma estratégia de "esvaziamento" da OIC, que já possui um fundo destinado a aumentar o consumo do café no mundo.
O Brasil considera esse fundo inoperante, pois os países consumidores filiados à OIC não têm demonstrado vontade política na adoção de campanhas mais agressivas que objetivem aumentar o consumo do café no mundo."Não temos nenhuma intenção de prejudicar a OIC, mas estamos prestes a ter um grande excedente de café e não podemos nos limitar a pequenas iniciativas para promover o seu consumo", disse um graduado integrante da delegação brasileira que participou do encontro em Londres.
"É preciso investir mais dinheiro nisso e tomar medidas rápidas. Infelizmente os países consumidores da OIC não têm demonstrado esse interesse. Por isso, vamos fazer esse trabalho na APPC, na qual temos mais liberdade de ação", completou a fonte.
O poderoso gerente-geral da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia, Jorge Cárdenas, negou que a proposta de se criar um fundo promocional prejudique a OIC. Cárdenas disse, no entanto, que não faz sentido que as duas entidades mantenham instrumentos que têm o mesmo objetivo. A proposta apresentada pelo Brasil na reunião da APPC reflete a posição do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que defende uma política mais eficiente na promoção dos produtos brasileiros no exterior. "Promovemos muito mal nossos produtos de exportação. Isso tem que mudar," disse Pratini.
Compromisso - Segundo informativo distribuído pela Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Agricultura em Brasília, o Brasil defendeu na reunião da Associação dos Países Produtores de Café (APPC) a elaboração de um programa de reestruturação da comercialização do café. O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cézar Samico, reafirmou também a disposição do governo brasileiro de cumprir o compromisso assumido em julho passado, em Brasília, de exportar 15 milhões de sacas no período 1999/2000 e 17 milhões em 2000/2001. Ele observou, porém, que os preços do produto são os mais baixos dos últimos cinco anos e que a demanda também caiu nos últimos dois anos.
No encontro, Samico informou aos demais países produtores que o Brasil está adotando medidas para promover o crescimento sustentado da produção de café e equilibrar o mercado, a médio e longo prazos. Citou, neste contexto, o fortalecimento do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé)
a pré-comercialização para retenção e a introdução da Cédula do Produtor Rural (CPR) com margeamento. Ele informou também que a safra brasileira que acaba de ser colhida será de 24,8 milhões de sacas. "Descontados o consumo interno e a quantidade destinada à exploração de solúvel, restarão aproximadamente 11 milhões de sacas, mais os estoques não governamentais de cerca de quatro milhões de sacas disponíveis para exportação".


