Produtores de arroz do RS ameaçam suspender comercialização
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 16 (AE) - Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul ameaçam suspender a comercialização a partir do dia 28 caso o Ministério da Agricultura não adote medidas que revertam a queda dos preços do produto. Eles também admitem levantar barreiras nas fronteiras para impedir a entrada de arroz produzido na Argentina e no Uruguai. Segundo o presidente da comissão setorial de arroz da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), João Carlos Machado, os custos de produção alcançam hoje R$ 14,84 por saco de 50 quilos. Os preços médios pagos ao produtor, entretanto, estão ao redor de R$ 13,60, caindo para R$ 12,50 em algumas regiões.
A proposta de boicotar a entrega do arroz à indústria e levantar barreiras contra a importação foi feita ontem, em Itaqui, durante reunião de 200 produtores de dez municípios da fronteira Oeste. De acordo com Machado, a decisão final será tomada depois do encontro com o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, e o secretário de Política Agrícola da Ministério, Benedito Rosa, domingo, na sede da Farsul. "Já apresentamos e reiteramos nossos pedidos; agora é a hora de ouvir", disse o dirigente. Os produtores querem a adoção de medidas que permitam a diluição da venda do produto ao longo do ano, evitando a superoferta no início da safra. "Hoje o produtor é obrigado a concentrar as vendas em março e abril para pagar seus compromissos".
Machado afirma que os arrozeiros querem a prorrogação do vencimento dos créditos para custeio, que passariam de junho e julho para novembro e dezembro. Além disso, os produtores pleiteiam contratos de opção no valor mínimo de R$ 15,00 o saco e bônus colheita (empréstimo do Banco do Brasil) equivalente a 20% da estimativa da safra. Os produtores também reivindicam recursos definidos para os Empréstimos do Governo Federal (EGF) e Cédulas do Produtor Rural (CPR), controle sobre as importações do Mercosul e o credenciamento, pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), dos armazéns pertencentes a agricultores pessoa física.


