Curitiba- Publicado na terça-feira no Diário Oficial, o decreto que cria o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas, no Paraná, foi criticado pelo presidente do Sindicato Rural de Palmas, Flávio Tadeu Carneiro. O argumento é de que a unidade afetará cerca de 60 produtores, que mantêm atividades de trabalho inadequadas às regras agora impostas pela criação da unidade.
''Têm propriedades na região que existem há 150 anos, mantidas por gerações da mesma família. Com a criação do refúgio, a exploração da área ficará limitada e as terras vão perder valor'', disse Carneiro. As atividades dos trabalhadores estão ligadas à pecuária, lavoura, pastagem, fruticultura e exploração de pinus.
Conforme explicou o coordenador da força-tarefa das Araucárias do Ministério do Meio Ambiente, Maurício Savi, há tolerância apenas para a atividade de pastagem. ''No caso da pecuária dependerá do modo como é feita a exploração'', acrescentou. Segundo Savi, a idéia é manter no local apenas os produtores que a partir de agora realizarem atividades compatíveis com as regras da unidade - cuja área é de 16.300 hectares. Segundo o presidente do Sindicato Rural, os produtores ocupam uma área de cerca de 14 mil hectares.
''Os produtores que não quiserem fazer a regularização fundiária, serão desapropriados e indenizados'', informou Savi. Segundo ele, cerca de 40 produtores devem ser afetados com a criação da unidade, número inferior ao informado pelo Sindicato Rural.
De acordo com Savi, o refúgio abriga a nascente do Rio Chopim, além de espécies endêmicas e em extinção. A unidade também faz parte do que restou dos Campos Abertos no Estado - apenas 0,2% do original. O Refúgio de Vida Silvestre é um tipo de Unidade de Proteção Integral. O refúgio dos Campos de Palmas, que fica entre os municípios de Palmas e General Carneiro, é o primeiro a ser criado na região Sul. No Brasil, o primeiro refúgio foi criado no Estado da Bahia, em 2002.
No último mês, três unidades de conservação foram criadas pelo governo federal no Paraná: Reserva Biológica das Araucárias, Parque Nacional dos Campos Gerais e Reserva Biológica das Perobas, que juntas somam mais de 44 mil hectares.

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