Mário Cesar/Arquivo FolhaUso indevidoPara a Famasul, os bens financiados pelo MST, principalmente tratores, servem para fomentar as invasõesCAMPO GRANDE - Os produtores rurais de Mato Grosso do Sul estão contra a liberação dos R$ 3 milhões para os sem-terra do Pontal do Paranapanema (SP) e pediram ao procurador geral da República no Estado, Luis de Lima Stefanini, a abertura de um inquérito para apurar o caso.
A decisão foi tomada através da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), onde o diretor-secretário, Assef Buainain Neto, disse que é inconcebível a liberação do dinheiro sem a menor garantia por parte dos beneficiados, enquanto os agricultores comuns são submetidos a uma série de exigências, entre elas até mesmo a penhora de suas terras, para obter financiamento agrícola.
Buainain destacou que os sem-terra precisaram apenas da assinatura do José Rainha Junior, conforme documentação verificada na agência do Banco do Brasil, do Mirante do Paranapanema, onde o empréstimo foi formalizado para a compra de 50 tratores de grande porte, 50 grades aradoras, 200 kits do plantio de milho, 50 carretas com pneus entre outros implementos. Acompanha o documento entregue ao procurador da República, cópia de uma fita VHS, mostrando uma das invasões de fazenda onde porteiras e cercas são derrubadas com o mesmo tipo de tratores especificados na cédula rural do Banco do Brasil, objeto do silenciamento.
‘‘A Famasul está protestando porque o custo financeiro do financiamento em questão é discriminatório, já que representam em torno de 10% do valor costumeiramente cobrado pelo banco dos produtores rurais para o plantio das safras, por exemplo’’, disse Buainain.
Depois afirmou que ‘‘José Rainha Junior é um homem procurado, com prisão preventiva decretada pela Justiça em face das invasões de terra. Pelo que conhecemos, não possui condições para garantir nada a uma instituição financeira’’. A entidade ressalta ainda que os bens financiados estão servindo para fomentar invasões de fazendas, citando como exemplo a utilização dos tratores nessas práticas.
Segundo informações da Assessoria de Imprensa do Banco do Brasil, a instituição não concedeu qualquer tipo de financiamento aos sem-terra do Pontal do Paranapanema.
O comunicado esclarece que a importância é um simples repasse de dinheiro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e foi liberado de acordo com as exigências do órgão. Já o procurador Geral da República disse que está analisando a solicitação dos produtores rurais, para se pronunciar oficialmente sobre o assunto e em seguida encaminhar as reclamações para a Procuradoria Geral da República em São Paulo, Estado onde o financiamento foi liberado pelo BB.

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