Produtores cobram indenização
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
Israel Reinstein Enviado a Morretes 
Produtores de Morretes, no Litoral do Estado, pretendem processar a Petrobras pelo vazamento de 50 mil litros de óleo diesel, ocorrido no último dia 16, na Serra do Mar. As 120 famílias de agricultores que moram próximo ao Rio Sagrado, contaminado pelo combustível, estudam uma maneira de compensação pelos danos provocados pelo óleo. Desde que houve o vazamento, eles estão impedidos de pescar ou usar a água do rio para irrigar suas plantações.
Em reunião na última segunda-feira, na Associação dos Produtores Rurais do Rio Sagrado, 100 agricultores se posicionaram favoráveis à indenização. Agora, eles pretendem obter ajuda da Prefeitura de Morretes para encampar a briga contra a estatal. O rio é nossa vida. Se a proibição continuar, por causa da poluição por óleo, vai matar a gente, disse o produtor Denilson Fiorese. É preciso encontrar uma saída para não deixar essas famílias na mão, afirmou o vereador Airton Tomazi (PFL), que apóia os agricultores.
Ninguém sabe quais são os efeitos futuros que o vazamento vai causar nos rios afetados e nas terras contaminadas por óleo diesel, disse Lídia Lucaski, presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), que participou da reunião. O medo da ambientalista é que, por necessidade, os produtores passem a utilizar a água dos rios contaminados (do Meio, Sagrado, das Neves e Nhundiaquara) antes do tempo. Não existem placas nos rios proibindo o consumo e a irrigação, disse.
O temor da ambientalista não é infundado. Ontem, o produtor Alcione Soares estava transformando em farinha parte da mandioca colhida próximo ao Rio Sagrado. Essa área, onde Soares planta hortaliças e maracujá, foi inundada por óleo dias depois do vazamento, quando uma cheia contaminou o solo com combustível. A Petrobras indenizou apenas o dono de uma plantação de milho com a presença evidente de diesel. Mas como ficam as terras onde a água transbordou com combustível e penetrou na terra?, questionou Tomazi.
Eu planto chuchu e dependo da água do rio, mas a Petrobras não me disse como vai abastecer a plantação com água limpa, disse o produtor Marcos Fiorese. Por hora, a vazão para irrigar os pés de chuchu é de 100 mil litros. Outro problema levantado pelo agricultor é se o cheiro de combustível não vai afastar insetos polinizadores, como a mamangava. Falta maior explicação pela Petrobras, queixou-se Denilson Fiorese.
Os produtores da localidade de Rio Sagrado temem também que a região fique estigmatizada pelo vazamento. Quando aconteceu o surto de cólera no Litoral, os agricultores tiveram seus produtos desvalorizados e recusados quando tentaram vender nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) de Curitiba.
A Folha procurou a assessoria de imprensa da Transpetro (subsidiária da Petrobras responsável pelo duto) no final da tarde para que se posicionasse sobre o assunto, mas não encontrou os assessores pelos celulares.


