Produtores agrícolas temem Carrefour/Promodes Do correspondente GILLES LAPOUGE
Paris, 30 (AE) - As grandes sociedades distribuidoras francesas são mais ágeis no que respeita à técnica capitalista "pós-moderna" do que os banqueiros.
No que concerne aos "bancos", a fusão do BNP (Banco Nacional de Paris) e da Société Générale encalhou depois de seis meses de estardalhaços, fanfarronadas e de publicidades agressivas.
Em compensação, duas sociedades comerciais, o Carrefour e a Promods anunciaram subitamente, sem o menor espalhafato e sem alarde, sua fusão amigável.
O novo grupo Carrefour/Promods, que conservará o logo do Carrefour, se tornará com isso o grupo comercial número 1 da França. E provavelmente também o segundo grupo mundial depois do inatingível Wal-Mart, a empresa americana do Arkansas que emprega um milhão de pessoas (o novo Carrefour terá 240.000 funcionários assalariados) e um volume de negócios de 118 bilhões de euros.
Diante do monstro americano, o novo Carrefour continua em desvantagem em relação ao volume de negócios: 54 bilhões de euros (355 bilhões de francos). O Carrefour, porém, possui 9.000 lojas contra somente 4.000 do Wal-Mart.
A grande diferença entre o Wal-Mart e o Carrefour é sua presença em outros países. O grupo americano, que está presente em apenas nove países (principalmente no México e no Canadá), começou há pouco a se fazer presente na Alemanha com a recompra do Wertkauf.
O grupo Carrefour-Promods, pelo contrário, está presente em 26 países e ocupa posição de destaque na América Latina (Carrefour) e na ásia (Promods). O novo Carrefour será o mais importante grupo comercial nos seguintes países: França, Bélgica, Espanha, Portugal, Grécia, Brasil, Argentina, Taiwan, Coréia e Indonésia.
O Brasil é um dos lugares que mais despertam a cobiça do grande distribuidor francês, como bem demonstram as relações entre a Casino (França) e o grupo Pão de Açúcar. Alguns rumores hoje de manhã pareciam prever um contra-ataque da Casino, que passaria por uma fusão com a Auchan.
O surgimento desses grupos monumentais vai pesar sobre todo o edifício econômico do país: de agora em diante, a principal empresa francesa será um "distribuidor" à frente da indústria petrolífera, automobilística, etc. Teme-se que tais potências financeiras e comerciais falseiem a concorrência e viciem até mesmo o aparelho de produção.
De resto, o que se experimenta no momento é um aperitivo com a guerra feroz que movem os produtores de frutas e de legumes contra os hipermercados (sendo o principal deles, diga-se de passagem, o Carrefour). Na verdade, os grandes distribuidores administram todo o mercado de frutas e de legumes. Eles podem destruir suas atividades, arruinar os pequenos produtores, etc. São os hipermercados que impõem os preços à produção, jogando-os para baixo, o que certamente tem um efeito positivo sobre o preço dos produtos e, por conseguinte, sobre o nível de vida dos franceses.
Isso, porém, faz das grandes lojas os verdadeiros mestres de obras, os verdadeiros "patrões" de todo um setor da produção. Não há dúvida de que isso é verdade no que diz respeito à produção agrícola, mas como as grandes lojas também estão prestes a se tornar a maior livraria da França, um dos principais vendedores de computador, etc., chegamos finalmente à conclusão de que a agricultura e uma parte da indústria são, se não controladas, pelo menos influenciadas pelas grandes lojas.
Isso explica a multiplicação das ações violentas dos agricultores, há já alguns dias, contra os supermercados. Eles verificam a procedência dos produtos. Informam aos compradores o preço de compra das frutas pago aos agricultores e o preço de venda dos mesmos produtos nos supermercados. Por exemplo: a pêra, que é comprada do agricultor por um franco o quilo, é revendida no supermercado por 9 francos o quilo.
Ora, essa tirania dos supermercados sobre a produção já produziu a megafusão Carrefour/Promods. É óbvio que os produtores agrícolas temem ficar, mais ainda do que no passado, à mercê do colossal Carrefour.





