Os produtores de fumo de Piraí do Sul, na Região dos Campos Gerais, vão denunciar as empresas multinacionais Souza Cruz e Universal Tabaco Life junto ao Ministério Público do Paraná. Eles acusam as multinacionais de promoverem o ‘‘trabalho escravo’’ e o ‘‘endividamento excessivo’’ dos produtores, que estariam enfrentando sérias dificuldades para encerrar seus contratos.
A decisão de levar a público as denúncias foi tomada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piraí, após uma reunião com 105 famílias que estão plantando fumo para as duas empresas no município.
Os produtores se queixam do custo do barracão, necessário para a secagem das folhas de fumo. O contrato de financiamento para instalação da unidade vence em 2002 e os produtores querem encerrar a atividade imediatamente. ‘‘Estamos amargando somente prejuízos’’, disse o presidente do Sindicato José Roberto Ferreira.
Segundo ele, a Souza Cruz cobra R$ 3.800,00 pela instalação do barracão, e a Universal, em torno de R$ 2.800,00. O pagamento é descontado da entrega da produção, comercializada a R$ 0,18 o quilo. Desse valor são descontados R$ 0,15 por quilo a título de assistência técnica, que as famílias afirmam que não receberam de forma adequada.
Os produtores reclamam também dos supervisores. ‘‘Eles estão entregando um tipo de semente, menos produtiva, que não está no contrato’’, afirmam. Além disso, as empresas estariam obrigando, através de contrato, que compra de insumos e de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), para proteção de produtos agrotóxicos, sejam feitas diretamente na empresa.
Segundo Rudimar Spannemberg, da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o problema não afeta o Sul do Estado. Os produtores de Rio Azul, Irati, Mallet e Rebouças querem até ampliar a área cultivada com fumo devido ao preço. Eles estão recebendo cerca de R$ 2,18 pelo quilo do fumo, devido a qualidade da produção.
Segundo Spannemberg, o problema de Piraí do Sul, é que faltou assistência técnica aos produtores locais. As multinacionais, ele observa, tentaram ampliar a área de cultivo no Paraná, partindo para municípios onde os produtores não têm o domínio da cultura.
A Souza Cruz, disse por meio de sua assessoria de imprensa, que a insatisfação dos produtores não chegou até a empresa e por isso não poderia fazer comentários a respeito. Mas adiantou que os contratos são renovados anualmente e que os produtores são livres para encerrar, se quiserem. Ocorre que os débitos têm que ser pagos e a empresa está disposta a recorrer à Justiça para receber o que tem direito. A Universal Tabaco Life disse que não iria se pronunciar porque mantém parceria com apenas quatro famílias em Piraí do Sul.

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