Produtor rural pressiona contra invasões
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Das agências Campo Grande e Belém 
Produtores rurais lotaram ontem o plenário da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, com capacidade para 350 lugares, e conseguiram que os deputados criassem uma comissão para atender suas reivindicações.
Os produtores, organizados pelo Movimento Nacional de Produtores (MNP), querem pressionar o governo do Estado a cumprir mandados de reintegração de posse expedidos pela Justiça, em áreas invadidas por trabalhadores rurais sem terra.
A comissão terá cinco deputados ligados aos interesses dos produtores. Ontem à tarde, a comissão se reuniu para definir pedidos de audiências com o governador Wilson Barbosa Martins (PMDB) e com o presidente do Tribunal de Justiça, Nildo de Carvalho. O coordenador do MNP, Renato Merem, informou ontem que, na semana passada, o movimento criou a segunda coordenadoria regional do País, em Londrina (PR).
Segundo Merem, só este ano o governo do Paraná deixou de cumprir cerca de 40 mandados de reintegração de posse de fazendas invadidas por sem-terra.
(SP). O MNP é apoiado pelas quatro principais entidades representativas do setor no País: Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Sociedade Rural Brasileira (SRB), (Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
O deputado Ben-Hur Ferreira (PT) disse ontem, na tribuna, ter ficado surpreso com a rapidez com que a comissão foi criada ontem, já que, segundo ele, há várias outras comissões esperando ser criadas há mais de 30 dias na Assembléia Legislativa.
O deputado Cícero de Souza (PTB), representante dos produtores, disse que o campo quer produzir dentro da legalidade e com paz, e foi aplaudido pelos manifestantes. Em audiência com os dirigentes do MNP, no dia 4, o governador Wilson Martins garantiu que vem cumprindo todos os mandados de reintegração de posse no Estado.
Tortura - Os comerciantes Edivaldo Caetano e Raimundo Damião, de Curionópolis, sul do Pará, denunciaram ontem à polícia de Eldorado de Carajás que foram presos e torturados durante quatro dias por seguranças da fazenda Baguá. Os dois teriam sido confundidos com invasores de terra. Caetano e Damião foram libertados quando os seguranças perceberam a aproximação de tropas da Polícia Militar que cumpre mandado de reintegração de posse e procuram líderes dos invasores nas matas da região.


