Produto tóxico vaza de duto da Petrobras no RJ e contamina solo
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Sabrina Petry Agência Folha Do Rio de Janeiro 
Mais um vazamento envolvendo dutos da Petrobras ocorreu no fim de semana em Paracambi, na Baixada Fluminense. O produto MTBE (metil terc-butil éter), altamente tóxico, vazou durante 25 horas, contaminando parte do solo da região.
O MTBE - um aditivo da gasolina que é proibido no Estado do Rio de Janeiro - vazou de um duto de ferro fundido, enterrado a um metro de profundidade e localizado a 50 metros de uma área residencial.
Segundo nota divulgada pela Petrobras, o vazamento foi descoberto às 11 horas de sábado, depois de moradores denunciarem à empresa o forte cheiro no local. De acordo com a estatal, o furo no duto era de um milímetro e a quantidade vazada não deve ter excedido 1.000 litros.
Segundo o diretor de controle ambiental da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), Francisco Sertã, o furo encontrado no duto foi provocado por corrosão.
Depois de notificada, a Petrobras interrompeu o bombeamento do MTBE e acionou a Defesa Civil e a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), que isolaram uma área de aproximadamente mil metros quadrados.
O vazamento só foi contido às 12h15 de domingo, de acordo com a própria empresa.
O aditivo, que aumenta a combustão da gasolina, estava sendo bombeado para o terminal São Sebastião, em São Paulo. Parte do produto, que é proibido no Rio há pelo menos três anos, seria utilizada no Rio Grande do Sul e o restante seria exportado.
De acordo com o presidente da Feema, Axel Grael, o MTBE contaminou o solo e há suspeitas de que tenha penetrado no lençol freático. A Petrobras diz que essa possibilidade é mínima.
Essa substância também é proibida em alguns Estados dos EUA por ser suspeita de provocar câncer, explicou Grael. O produto também causa irritação nas vias respiratórias e no sistema digestivo.
Para ter idéia da dimensão da contaminação, técnicos da Feema e da Defesa Civil retiraram amostras do solo no local. Conforme o resultado, a Petrobras poderá ser multada em até R$ 1 milhão.
Hoje (ontem), a Comissão Estadual de Meio Ambiente (Ceca) analisará o caso. Mesmo sendo acidental, a estatal será multada em até R$ 1 milhão, disse Axel Grael.
A Petrobras se comprometeu a retirar o solo contaminado, que será tratado, e a recobrir a área com solo novo.


