Produto é vendido sem receita médica
A facilidade de se comprar a pílula pode colaborar com o uso indiscriminado da PDS. Embora exista uma tarja vermelha na embalagem do medicamento, o que impede sua compra sem receita médica, a pesquisa de Albertina Takiuti mostra que 80% das adolescentes compraram a pílula sem receita. Em 52% dos casos, ela foi comprada pelo próprio parceiro e em 38% pela menina.
Sem dificuldade para comprar a pílula, a publicitária Sigrid Cataranzo, de 24 anos, recorreu a ela depois de uma relação em que a camisinha se rompeu. Sigrid seguiu corretamente a bula: tomou a pílula até 72 horas após a relação sexual e ingeriu o segundo comprimido 12 horas após o primeiro. No entanto, não funcionou. ''Eu deveria menstruar após dez dias, mas isso não ocorreu'', diz ela, ao lado de Nitza, que nasceu desta relação e está com 3 anos. ''Ela é a minha razão de viver, mas não foi planejada.''
A coordenadora de Saúde Técnica da Mulher, do Ministério da Saúde, Maria José de Oliveira Araújo, explica que todos os medicamentos são submetidos a testes antes de entrarem no mercado, mas não tem conhecimento de pesquisas sobre a PDS após sua liberação para venda. ''Infelizmente, as meninas transformam o que deveria ser esporádico em rotina'', lamenta o presidente da Sociedade de Obstetrícia do Estado de São Paulo, Francisco Eduardo Prota.(G.S./A.E.)





