Produto argentino representa 69% do déficit comercial em 7 meses
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 18 (AE) - Mesmo com a desvalorização do real, o déficit comercial do Brasil com a Argentina já representa mais da metade do déficit da balança comercial brasileira nos sete primeiros meses do ano. Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a balança comercial do Brasil com a Argentina apresentou um resultado negativo de US$ 361,4 milhões de janeiro a julho. Esse valor representa 69% do déficit total da balança comercial brasileira acumulado no mesmo período e que já que chegou a US$ 525 milhões.
Em julho, a balança comercial apresentou um superávit de US$ 94 milhões, resultante de exportações de US$ 4,117 bilhões e importações de US$ 4,023 bilhões. Durante os sete primeiros meses do ano, o comércio do Brasil com a Argentina só foi positivo em fevereiro e março, logo após a desvalorização cambial. No restante dos meses, o comércio bilateral sempre foi desfavorável para o Brasil.
O comércio do Brasil com os outros parceiros do Mercosul - Uruguai e Paraguai - é superavitário até julho. Mesmo deficitário em US$ 361,4 milhões, o comércio bilateral com a Argentina, no período, melhorou em relação ao ano passado, quando a balança foi negativa para o Brasil em US$ 613 milhões.
Projeções - Sem se comprometer com números, o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, afirmou que "não tem dúvidas" de que a balança comercial brasileira terá superávit em 1999, apesar de estimativas de alguns consultores do mercado financeiro já projetarem um resultado comercial negativo. "Estamos caminhando para uma recuperação gradual da nossa capacidade exportadora", disse ele.
O ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, também afirmou hoje que o governo está tranquilo com a condições macroeconômicas e com as metas estabelecidas para 1999 e 2000, inclusive a balança comercial. O ministro evitou também falar em números.
A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Lytha Spindola, destacou que vários produtos da pauta de exportações ganharam destaque no resultado até julho, entre eles carne bovina "in natura", carne de frango, aviões e móveis. Por outro lado, o Brasil também vem ganhando mercado em novos países, como a Indía, Indonésia, Cingapura, Coréia, Irã e Países Baixos.
A secretária adiantou que o ministério está se preparando para divulgar o resultado da balança semanalmente, como já fez no passado, e poderá até mesmo, no futuro, anunciá-lo diariamente.


