Washington, 08 (AE-DOW JONES) - A produtividade dos trabalhadores americanos cresceu na taxa anualizada de 3,5% nos primeiros três meses do ano, o que ajudou a manter a inflação de salários sob controle, de acordo com dados divulgados ontem pelo governo.
A produtividade, que corresponde à produção por hora de trabalho, é considerada uma medida-chave para determinar se o padrão de vida dos americanos vai aumentar. Uma maior produtividade significa que os empregadores podem pagar mais aos funcionários sem ter de elevar os preços dos seus produtos. Isso mantém a inflação sob controle e significa que os salários dos trabalhadores continuarão a crescer.
O aumento de 3,5% na produtividade anual para o período de janeiro a março representou uma pequena redução na estimativa inicial do Departamento do Trabalho, feita há um mês, de que a produtividade teria crescido 4% no primeiro trimestre.
A revisão ocorreu por causa do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) - a produção total de bens e serviços -, que também foi revisado para baixo, da estimativa inicial de 4,5%, para um crescimento de 4,1% nos três primeiros meses do ano.
Um indicador-chave para medir pressões inflacionárias foi elevado ligeiramente no relatório divulgado ontem pelo Departamento do Trabalho. O custo do trabalho por unidade, a quantia de compensação por unidade de produção, cresceu 0,7% na taxa anualizada no primeiro trimestre, comparado a uma estimativa original de crescimento de 0,3%. De acordo com analistas, mesmo com a revisão da previsão para um custo maior, um crescimento de apenas 0,7% é considerado um bom sinal de que as pressões sobre os salários estão contidas, embora o índice de desemprego no país tenha retornado ao seu menor nível dos últimos 29 anos, apenas 4,2%.
O aumento de 0,7% no custo do trabalho seguiu uma queda de 0 4% no quarto trimestre de 1998. Para todo o ano passado o aumento nos custos do trabalho foi de 2%.
O crescimento de 3,5% na produtividade no primeiro trimestre representa um forte avanço, que supera o ganho de 2,2% em todo o ano de 1998. E mesmo o indicador anual de 2,2% de 98 representa uma melhora da fraca produtividade dos Estados Unidos nas últimas décadas.
"O aumento da produtividade está tendo um papel-chave" no controle da inflação, disse hoje o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de Richmond, Alfred Broaddus, durante uma palestra a banqueiros da Carolina do Sul.
Ainda assim, ele e o presidente do Fed de St. Louis, William Poole, alertaram para o fato de que o ritmo do crescimento econômico está muito alto e pode eventualmente levar a uma inflação maior. "A taxa de crescimento do PIB está claramente mais alta do que pode ser sustentado a longo prazo", disse Poole.
Poole prosseguiu dizendo que é "bom" que investidores estejam antecipando a alta dos juros. "Não tenho nenhum desejo de pegar os mercados de surpresa", disse. As indicações dos presidentes dos Fed regionais reforçaram a expectativa de que o presidente do Fed, Alan Greespan, vai anunciar um aumento dos juros na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto do BC americano.

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