Rio, 11 (AE) - A produção industrial do País registrou uma ligeira melhora em março, com crescimento de 1,6% em relação a fevereiro, apesar do desaquecimento da economia. Mas, segundo Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em todas as outras comparações continuam prevalecendo os resultados negativos.
Em relação a março do ano passado, a queda foi de 3%, mesmo índice negativo registrado nos últimos 12 meses. A retração é ainda maior no confronto do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado: 3,8%.
De qualquer forma, o crescimento da produção na chamada "ponta da série", ou seja, na passagem de um mês para o outro, foi um resultado alentador, na opinião dos técnicos do IBGE, que já esperam a repetição de um índice positivo na comparação de abril com março. O otimismo deve-se, basicamente, aos bons resultados das vendas da indústria em abril, anunciados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O único item que pode pôr em risco as estimativas é um possível resultado insatisfatório no acordo automotivo, que está sendo negociado com o governo. "O resultado do primeiro trimestre do ano mostra que a indústria está ensaiando uma trajetória de reação", diz o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales. "Provavelmente, isto não significará uma taxa anual positiva, mas será suficiente para amortecer o nível da queda."
Ele lembra que, desde junho do ano passado, vêm sendo registrados sucessivos índices negativos, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A expectativa é de que essas quedas continuem a se repetir até meados do segundo semestre.
Surpresa - Para Sales, o resultado do primeiro trimestre deste ano foi surpreendente, mesmo tendo representado uma redução de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. "Tudo o que se esperava no fim do ano passado é de que o movimento de depressão se acentuasse no início de 99, o que não está ocorrendo", diz o analista. "Está certo que a tendência ainda é negativa, mas o movimento de queda está muito mais suave o que demonstra que o entrave na economia não foi tão fundo quanto se esperava."
O impacto da desvalorização do real, em janeiro, foi completamente absorvido no índice de atividade industrial de fevereiro, que concentrou o efeito de paralisia na economia, reflexo das incertezas sobre a política de câmbio e de juros.
As quedas nas taxas de juros que se seguiram devem refletir-se no nível de atividade de abril, já que têm peso direto sobre o custo da produção industrial e sobre o consumo.
A ampliação no ritmo de atividade verificada de fevereiro para março foi praticamente generalizada, atingindo 17 dos 20 gêneros industriais e todas as categorias de uso pesquisadas pelo IBGE. A média de desempenho foi de 1,6%, mas foram registrados picos como o da área de bens de consumo duráveis, que teve expansão de 5,2%.
O segmento de bens de consumo semi e não duráveis também cresceu acima da média, registrando 3,1%. Já na comparação com março de 98, houve redução em 12 segmentos e em todas as categorias, com as maiores contribuições negativas recaindo sobre o setor de material elétrico e de comunicações (-16,4%), mecânica (-11,3%) e material de transporte (-12,3%).

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