São Paulo, 27 (AE) - O crescimento das atividades industriais, que vinha em ritmo acelerado no estado de São Paulo desde janeiro, perdeu sustentação e iniciou um período de estabilidade. A queda do nível do emprego e a perda do poder aquisitivo dos salários contribuíram para a redução da velocidade do crescimento da produção industrial. O Indicador de Nível de Atividades (INA), medido pelo Departamento de Pesquisa e Análise Econômica (Depea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) cresceu 0,7% em abril, em relação a março.
Projeção feita por técnicos da Fiesp mostra que esse quadro não deverá se alterar nos próximos meses. A produção industrial aumentou apenas 0,1% em maio e poderá cair 0,7%, em junho, sempre em relação ao período anterior.
O esfriamento do mercado de produtos industriais foi a principal causa da queda do índice medido pela Fiesp. Em abril, o valor das vendas da indústria caiu 4,44% em relação a março, uma vez eliminados os efeitos sazonais. Mantida a sazonalidade, as vendas da indústria, em abril, caíram 10,33% em relação a março e 5,9%, se comparadas a igual período do ano passado.
"Não há sustentação para o crescimento da produção", afirmou a diretora do Depea, Clarice Seibel. "As condições macroeconômicas não permitem a retomada do crescimento."
O quadro de estabilidade da produção industrial está sendo sustentado basicamente por dois ramos de atividades. Investimentos em infraestrutura de energia elétrica e de telecomunicações levaram a um crescimento de 4,4% nas vendas das indústria desses setores. O faturamento da indústria de alimentos cresceu 3,4% em abril.
O mercado da indústria automobilística perdeu o vigor, após um período de vendas aquecidas como reflexo da vigência do acordo de emergência da indústria automobilística. A perspectiva da não renovação do acordo levou a uma redução do ritmo das vendas, fechando abril com crescimento de apenas 0,5%.
As projeções feitas pelos técnicos do Depea mostram uma forte recuperação da produção na cadeia automotiva em maio (16 2%) e mais branda em junho (3,7%).
Apesar da expectativa de recuperação do setor têxtil, em função da mudança do regime cambial, isso não ocorreu até abril. O nível de atividade do setor caiu 2,4% no mês passado, mas segundo a projeção feita pela Fiesp, deverá ter uma ligeira recuperação de 1% ao mês em maio e junho.
O mesmo deverá ocorrer com as indústrias de papel e papelão e de produtos de material plástico, que não tiveram bom desempenho em abril, mas iniciam um período de recuperação neste mês. Esse quadro não deverá se sustentar em junho para os fabricantes de material plástico. Também a boa fase do mercado de produtos alimentícios poderá terminar em junho, para quando a Fiesp prevê queda de 4,3% nas atividades.
As projeções para o desempenho da indústria são feitas com cautela pela diretora do Depea. Clarice acha que o País continua vulnerável a um eventual choque externo, que poderá abalar o fluxo de capitais e comprometer o equilíbrio da economia. Caso ele ocorra, obrigará o governo a uma contra-ofensiva, o que poderá resultar numa nova alta das taxas de juros e na contenção do crédito.

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