São Paulo, 28 (AE) - Se a greve dos caminhoneiros prolongar-se até sexta-feira, a produção de grandes indústrias pode ser totalmente paralisada e os postos de combustíveis podem ficar desabastecidos. Os supermercados informam que têm estoques de perecíveis apenas para três dias.
Das 11 fábricas que a Sadia possui no País, sete estavam paradas hoje. A Perdigão pode interromper a produção em suas 12 fábricas amanhã. Na Fiat, em Betim (MG), na linha de montagem do Palio e Marea, faltavam peças para completar os veículos. A produção parou totalmente em duas fábricas da Volkswagen e uma terceira reduziu o ritmo. Na General Motors e na Ford, a situação estava tranquila.
Já a produção paulista de suco de laranja caiu 35% e será interrompida até sexta se a greve persistir. "O governo tem de ter uma ação enérgica, urgente e determinada com relação à greve dos caminhoneiros", exigiu o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia), Edmundo Klotz, afirmou que todas as indústrias do setor estão sendo prejudicadas pela greve e não estão recebendo matérias-primas.
"Estamos preocupados com o desabastecimento de produtos perecíveis, cuja reposição é feita entre um e três dias", disse o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf, fazendo coro às palavras do presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires Araújo: "A população não precisa sair correndo para fazer estoques, pois poderá substituí-los por outros produtos."
A maioria dos supermercados trabalha com suprimentos na própria loja, sem estoques de segurança - no chamado just in time. Produtos perecíveis, como verduras, frutas, legumes, leite
carnes e frango, podem perder qualidade no meio do caminho.

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