Produção industrial completa oito meses seguidos em queda
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 11 (AE) - A produção industrial brasileira registrou queda de 3,6% em janeiro deste ano em relação a janeiro de 1998, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora na comparação com dezembro a taxa de janeiro tenha sido positiva em 1,8%, na equivalência de um mês com o mesmo mês do ano anterior, a queda vem se repetindo desde junho do ano passado. Ou seja, há oito meses consecutivos vem ocorrendo redução na atividade industrial do País.
O chefe do Departamento Industrial do IBGE, Silvio Sales
prevê para os próximos meses mais retração e uma melhoria apenas a partir do segundo semestre. "O acréscimo em relação a dezembro foi pontual, marcado basicamente pela volta à produção das montadoras que estavam com atividade suspensa", explica. "Em janeiro, bem ou mal, a produção de bens de capital foi retomada até para recompor estoques, como foi o caso dos eletroeletrônicos."
Na comparação com janeiro do ano passado, os resultados foram predominantemente negativos. Todas as categorias de uso e 39 subsetores industriais, de um total de 61, tiveram queda na produção. Entre os ramos industriais, as quedas de material de transporte (-17,2%), mecânica (-15%) e metalúrgica (-9,4%) foram as que mais pressionaram a redução de 3,6% na produção global.
O crescimento de 1,8% em relação a dezembro foi o primeiro resultado positivo da indústria desde junho de 1998, mas o dado não considera efeitos sazonais e nem embute ainda as consequências da desvalorização do real frente ao dólar, que teve início em meados de janeiro. "Por isso, não se pode dizer que há uma tendência de recuperação", adverte Sales. Os efeitos da alteração da economia só começarão a ser sentidos nas estatísticas de produção de fevereiro.
PIB - Pelos dados coletados até agora, os técnicos do IBGE acreditam que deva se confirmar a expectativa de queda de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, mas Sales argumenta que ainda não há como formular uma previsão mais precisa. "Há alguns efeitos positivos na alteração econômica, que ainda irão se espalhar e refletir na produção, como o aumento das exportações e o consequente impulso na atividade industrial interna", comenta.
"Também a estimativa de aumento da safra pode fazer com que a agropecuária contribua para elevar a atividade industrial e, com isso, contrabalance os efeitos negativos", afirma.
Os destaques no elevação da atividade de dezembro de 98 para janeiro de 99 foram material de transporte (31,8%), mecânica (8,4%), borracha (38,8%) e metalúrgia (4%).
Na indústria de material de transporte, o índice foi alcançado porque em dezembro a taxa de crescimento deste setor havia atingido seu nível mais baixo desde janeiro de 93. O desempenho da área de extração de petróleo e gás, que, neste período, teve um crescimento de 27,3%, também contribuiu para o resultado positivo.


