Produção industrial caiu 0,7% no ano passado
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 04 (AE) - A produção industrial brasileira caiu 0 7% em 1999, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a segunda queda consecutiva, após a retração de 2,1% em 1998. Embora o resultado seja negativo, a atividade do setor recuperou-se no segundo semestre, e pode influenciar positivamente no desempenho do Produto Industrial Bruto (PIB), afirmou o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales.
Em dezembro, a produção industrial aumentou 3,1% na comparação com novembro, e 8,8% em relação ao último mês de 1998. Os resultados recolocaram a atividade industrial no mesmo nível do primeiro semestre de 1998. "O setor superou o ajuste que sofreu a partir da crise da moratória russa", avaliou Sales.
A recuperação no fim do ano não foi suficiente para impedir quedas de 9,4% na fabricação de bens de consumo durável, de 8,9% dos bens de capital e de 1,5% dos de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis.
Apenas a fabricação dos bens intermediários teve crescimento de 1,8%."Essa categoria, além do efeito do aumento sistemático com crescimento de 13,1% do setor de petróleo e gás, tem vínculo muito grande com as exportações", explicou Sales.
Mercado externo - O aumento do volume de produtos exportados resultou na alta de 7,4% do setor de celulose e 9,1% da petroquímica. A substituição dos artigos importados, por causa da alta do dólar, foi responsável pela alta de 2,1% da produção têxtil. A queda de 1,2% da produção de embalagens, usadas no mercado interno, confirmam que o consumo dos brasileiros teve pouca relação com o bom desempenho dos bens intermediários, afirmou Sales.
A diminuição da capacidade de compras de consumidores de baixa renda também explica a queda de 13,2% na fabricação de televisores, rádios e aparelhos de som - principal fator para o desempenho negativo do segmento de bens duráveis. A produção de automóveis fechou o ano com queda de 10,6%, mas conseguiu recuperar-se no segundo semestre, quando a atividade auemntou 6 2%, após retração de 23,5% de janeiro a julho. "O setor se beneficiou de acordo de preços", explicou Sales.
A falta de capacidade de investimentos do setor público afetou as atividades ligadas à construção civil, explicou o chefe do Departamento da Indústria do IBGE. A fabricação de equipamentos para o setor caiu 41,9% no ano, a dos insumos para construção civil, 3,6%, e dos minerais não-metálicos, também relacionados com a atividade, 3,1%.
PIB - O economista do IBGE não soube dizer qual será o impacto da indústria no PIB. Mas reconheceu que a reversão do desempenho no último trimestre, quando a produção aumentou 4%, deve melhorar os resultados de janeiro a setembro, quando o Produto Interno Bruto ficou praticamente estável, crescendo apenas 0,02%.
"Enquanto as estatíticas da agropecuária praticamente não mudam, a indústria é uma área mais dinâmica", informou. Até setembro, a produção agrícola havia crsecido 6,1%, a dos serviços, 0,8%, e a da indústria tinha caído 3,3%, dentro do PIB. No entanto, no cálculo do PIB, a indústria engloba também os setores de construção civil e serviços industriais de utilidade pública, como saneamento e eletricidade, que não entram na formulação dos dados de produção industrial divulgados hoje pelo IBGE.


