Tóquio, 28 (AE-DOW JONES) - A produção industrial e mineral do Japão caiu no ano passado ao nível mais baixo em quase meio século, apesar dos sucessivos pacote de estímulo, no valor total de 27 trilhões de ienes, US$ 229 bilhões, em gastos públicos e reduções de impostos. Dados do Ministério de Comércio Exterior e Indústria (Miti) indicam que a produção das fábricas e minas do país recuou 7,1% no exercício fiscal terminado em 31 de março, a primeira queda em cinco anos.
De acordo com Konosuke Ikeya, chefe de Análises Estatísticas do Miti, o resultado só é comparável ao recuo de 9,7% na produção verificado em 1974. O Miti atribui o fraco desempenho à queda na demanda interna, que prejudicou particularmente setores como a indústria de cimento e aço e levou à redução dos investimentos de capital por parte dos fabricantes de maquinários.
A baixa também foi comandada pela indústria automobilística, já que o setor de manufaturados reduziu a produção no primeiro semestre do ano passado com o objetivo de livrar-se dos estoques que se amontoavam nos depósitos em decorrência da recessão. Os números indicam que, no fim do exercício fiscal, as empresas tinham 85 trilhões de ienes em equipamentos e fábricas ociosas, o equivalente a um ano de novos investimentos.
A expectativa para este ano, porém, é um pouco melhor. Em março, a produção cresceu 2,2%, conforme os dados oficiais também divulgados hoje. Esse resultado preliminar, porém, pode ser revisto mais adiante, como ocorreu com o de fevereiro, que segundo os números preliminares teria terminado com um recuo de 0,2%, porcentual corrigido posteriormente para uma expansão de 1 3%. Os ganhos verificados no mês passado foram alimentados principalmente pelo setor de telefonia celular, veículos, maquinário para a fabricação de semicondutores e por objetos de alumínio para construção civil e cozinhas. Os estoques, porém, caíram 0,8% em março, depois de apresentarem uma alta de 0,3% em fevereiro.
Os especialistas do Miti, contudo, alertam que a recuperação do nível de produção só se dará a partir de maio. Em abril, a produção total deverá registrar queda de 3,2%, afirmaram os economistas, antes de crescer 1% em maio.

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