Rio, 14 (AE) - O setor industrial de São Paulo, o maior parque fabril do País, registrou em março deste ano a sua oitava queda consecutiva de produção, em confrontos de um mês com igual período do ano anterior.
Apesar da tendência de recuperação da atividade, registrada na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dados regionais analisados pela mesma instituição demonstraram que a queda na indústria paulista foi de 7,3% em março em relação a março de 98. A taxa é mais do que o dobro da redução de 3% registrada nacionalmente.
A gerente de dados de análise do Departamento de Indústria do IBGE, Miriam Ferreira, lembra que os índices regionais não passam, como o nacional, por um ajustamento sazonal. Ou seja, podem ocorrer distorções que não levam em conta características pontuais de cada período.
"Quem está puxando para baixo o índice nacional é São Paulo, que teve as indústrias do complexo metal-mecânico muito atingidas pela crise", diz Miriam. "Por causa disso, o desempenho industrial paulista vai mal, mas está claro que é uma fase."
Na comparação do primeiro trimestre do ano com os três primeiros meses de 98, houve melhora no ritmo produtivo em sete dos 11 locais pesquisados. O Rio de Janeiro liderou o crescimento regional, com ampliação de sua atividade em 9,1%.
Miriam comenta, porém, que este aumento de produção é relativo, devido basicamente ao aumento de produção de petróleo e gás na Bacia de Campos (RJ). "Se formos analisar isoladamente a indústria de transformação fluminense, o resultado será também negativo, em 3,8%", diz. A extrativa mineral e o setor químico respondem por cerca de 50% da estrutura industrial do Rio.
A analista evita fazer estimativas sobre o impacto do crescimento do setor de petróleo, com a entrada de empresas privadas na produção de petróleo, a partir do mês que vem, depois da primeira licitação pública de áreas de exploração. "Tudo vai depender da capacidade de investimento das empresas que ingressarem no mercado", argumenta.
Os índices regionais da produção industrial mostraram, em março, um quadro de resultados predominantemente negativos. Na comparação com março do ano passado, sete das 11 áreas investigadas reduziram a produção.
Além de São Paulo, foram também intensas as quedas em Minas (-5,5%) e Bahia (-5,2%). Em seguida vêm Paraná (-3,3%), Pernambuco (-1,6%), Rio Grande do Sul (-1,1%) e região Nordeste (-0,4%). Em março o melhor resultado também foi para o Rio de Janeiro, com crescimento de 7%, seguido de Santa Catarina (4,7%)
Ceará (4,4%) e Região Sul (1,1%).
Na evolução dos índices trimestrais houve melhora na maioria dos locais. Este movimento foi mais intenso na indústria de Pernambuco, que passou de -19,4% para 4,9%.

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