Rio, 4 (AE) - A produção industrial do País voltou a cair em junho (-1,3%), depois da alta registrada em maio (1,9%), segundo Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O primeiro semestre do ano foi marcado pelas oscilações na atividade produtiva, o que pode indicar a desconfiança do empresariado acerca da condução da política econômica.
A previsão é de que este ano a indústria volte a apresentar taxa negativa, a exemplo do ano passado, que fechou com índice de -2,1%, o primeiro recuo na produção desde 1993.
"A indústria está meio receosa, sem perspectiva concreta sobre a economia", comenta Miriam Ferreira, da equipe responsável pela pesquisa. "É preciso que os empresários tenham definições pelo menos a médio prazo, para haver incentivo aos investimentos."
Apesar da queda em junho, o saldo entre o segundo e o primeiro trimestres do ano ainda é ligeiramente negativo, com um crescimento global de 1,4%, já que o montante das variações positivas acabou sendo superior ao das quedas.
O baixo desempenho de 14 dos 20 ramos industriais pesquisados, porém, refletiu uma queda significativa (-3,2%) de atividade no primeiro semestre deste ano em comparação com igual período de 98.
Em todos os confrontos de mais longo prazo, aliás, o resultado é negativo: -2,9 comparando junho deste ano ao mesmo mês do ano passado; -3,4% no acumulado dos últimos 12 meses, e -3,2% no acumulado janeiro-junho deste ano em relação a 98.
Semestre - Para o segundo semestre é esperado um aquecimento, mas não o suficiente para alterar o quadro negativo na comparação com o ano passado. "A melhora é prevista até por causa do efeito estatístico, já que o segundo semestre de 98 é uma base deprimida pela crise russa", diz Miriam.
O efeito da queda de juros sobre o consumo de bens duráveis e, consequentemente, sobre a produção industrial, será também mais visível no fim do ano, segundo ela.
A indústria alimentícia foi a que registrou a queda mais profunda em junho: -5,9%. Segundo Miriam, isto pode ser atribuído a uma espécie de antecipação. Em maio, o crescimento do setor foi maior que o esperado, por causa de previsões de problemas com safras. No semestre, o segmento ainda está com crescimento positivo de 3%.

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