Produção industrial Argentina cresce 3,8% em março
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 18 (AE) - Preocupado em dar uma boa imagem da economia argentina em um momento onde o risco-país pode aumentar por causa da crise nas Bolsas, o governo divulgou antecipadamente os índices que demonstram que produção industrial cresceu 3,8% em março em relação ao mesmo mês do ano passado. Em relação a fevereiro, o crescimento de março foi de 15,3%. O anúncio foi feito pelo secretário de Programação Econômica, Miguel Bein, que afirmou que no primeiro trimestre deste ano o crescimento industrial foi de 3,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo Bein, a pesquisa do Indec investigou 15 setores industriais, dos quais 10 tiveram um desempenho positivo. Os principais crescimentos foram na produção de automóveis (69%), alumínio (63%), aço (42%), gases industriais (36%), matérias primas plásticas (15,6%) e tecidos (13,9%).
A Universidade Argentina da Empresa (UADE) apresentou índices similares aos divulgados por Bein, mas relativizou a recuperação: ela chamou a atenção para o fato de que "a recuperação ocorreu em relação a um período (janeiro-março de 1999) que foi altamente recessivo".
Apesar do otimismo no governo, outros índices demonstram que a crise recusa-se a abandonar o país: segundo a consultora Fidelitas, em março 155 empresas pediram concordata, ou seja, 30% a mais do que em fevereiro. Isto indica que nos primeiros três meses deste ano o número de concordatas cresceu 20% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os setores que pediram mais concordatas foram o automotivo, alimentício e têxteis.
Além disso, também aumentaram os pedidos de falência: em março cresceram 18% em relação a fevereiro. No primeiro trimestre deste ano, o número de falências aumentou 10% a mais do que no mesmo período de 1999.
Os efeitos da crise econômica também foram sentidas nas contas correntes: em março os bancos cancelaram 12.896 contas. Destas, 59% foram fechadas por causa de emissões de cheques sem fundos. Este é o segundo recorde histórico de cancelamentos: o maior ocorreu em janeiro de 1996, por efeito da recessão que se seguiu à crise mexicana.


