Rio, 7 (AE) - A produção industrial recuou 0,3% entre março e abril deste ano, acumulando uma queda de 3,3% nos primeiros quatro meses de 1999, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação com abril do ano passado, a indústria apresentou uma retração de 2,4%, mantendo a tendência de queda iniciada em julho de 1998.
Apesar do resultado negativo, os últimos números do IBGE revelam uma pequena recuperação do setor na comparação com os últimos meses do ano passado. A pesquisa mostra que a produção industrial em abril cresceu 2,4% frente a dezembro, mês em que foi registrado o pior desempenho do setor em 1998.
Outro dado que comprova essa pequena tendência de recuperação é a comparação entre o primeiro quadrimestre de 1999 e o último do ano passado. No período, a indústria cresceu 0 1%.
O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, diz que o número é muito positivo, diante das previsões que indicavam forte queda na atividade industrial após a desvalorização do real. "Alguns setores vêm conseguindo reagir, como a extrativa mineral, que acumula um crescimento de 14,5% no primeiro quadrimestre", ponderou.
Ele lembrou que a produção de petróleo e gás cresceu 19 8% no período, neutralizando parte do desempenho negativo da indústria de transformação.
Recuperação - O técnico do IBGE explicou que o movimento de recuperação vem sendo impulsionado pela indústria de bens intermediários e de consumo semiduráveis e não duráveis. Esses setores estão sendo beneficiados pela recuperação das exportações após a desvalorização cambial e o bom desempenho da agropecuária.
A produção de bens intermediários cresceu 0,4% e de consumo semiduráveis e não-duráveis registrou um incremento de 1 1% entre março e abril deste ano. A indústria de bens de capital e de consumo duráveis continuou em queda. Os setores apresentaram um recuo de 15,8% e 20,1%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado.
Crédito - O chefe do departamento do IBGE afirma que esses dois segmentos são mais sensíveis à retração do crédito e ao aumento das demissões. Segundo ele, o cenário recessivo também contribui para adiar os investimentos das empresas, o que tem reflexo direto na produção de bens de capital.
"A indústria vem se recuperando, mas dificilmente o setor vai encerrar o ano com números positivos", previu Sales. Ele ressalta que o nível de produção da indústria em abril continua 2,2% abaixo da média registrada em 1998.
Uma recuperação mais sustentável da produção brasileira depende do comportamento dos juros e da melhoria das perspectivas para a economia nacional, fatores que aumentam o consumo da população e promovem uma ampliação dos investimentos na ampliação da capacidade instalada da indústria.

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