São Paulo, 23 (AE) - Em quatro anos, a Mercedes-Benz reduziu o nível de estoques da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) em 46%, o que representa uma economia de US$ 130 milhões em capital estocado. No mesmo período, a empresa diminuiu a área ocupada em 30%. Com mais espaço, menos estoque e aumento de produtividade - que atingiu 40% - a Mercedes conseguiu encaixar em São Bernardo parte da produção do seu automóvel Classe A - que é montado em Minas Gerais. Na próxima semana a fábrica da Mercedes-Benz será usada para sediar um seminário sobre produção enxuta - o Lean Summit.
Nesse processo, há componentes do Classe A que estão sendo produzidos em máquinas fabricadas em 1960. Segundo o diretor de manufatura de eixos da Mercedes, Luiz Tavares de Carvalho, o maior desafio nesse processo é fazer uma máquina velha funcional para veículo e método de produção modernos.
A Mercedes e outras empresas, como a Delphi, Alcoa, Invensys e Xerox - que apresentarão experiências semelhantes no seminário da próxima semana - basearam esse trabalho num conceito desenvolvido pelos japoneses da Toyota, que não admite o desperdício.
Segundo o presidente do Lean Institute Brasil, José Roberto Ferro, professor especialista em indústria automobilística, o conceito de produção enxuta não representa corte de pessoal, mas sim a eliminação de despedícios. "Com isso, a empresa consegue baratear o produto; se repassar esse ganho para o consumidor, pode expandir mercado", destaca.
Numa situação como o atual mercado de veículos - em que a crise não permite expansão - a saída é a diversificação. Na Mercedes, por exemplo, a produção de caminhões passou a ser feita em três turnos, ao invés de dois, para poder dar espaço e máquinas para produzir as peças do automóvel Classe A. Isso deu à empresa uma economia em custos de processos de quase 70%. Hoje 70% das peças estampadas do Classe A são produzidas na fábrica de caminhões de São Bernardo.
Segundo Ferro, a maior conquista da Mercedes no Brasil foi ter conseguido introduzir simplicidade e eficiência numa fábrica velha, construída em 1956. E isso está servindo de exemplo para o grupo DaimlerChrysler a nível mundial. A idade média das máquinas nesta planta é de 22 anos, o que significa a soma de dois ciclos tecnológicos para máquinas operatrizes, segundo Carvalho.

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