Produção de mandioca se expande para conquistar novos mercados
Silvana Porto Especial para a Folha
Produzida para abastecer fecularias e farinheiras da região de Paranavaí, a mandioca vem conquistando novos mercados. A primeira indústria a explorar o novo filão surgiu há 3 anos em Paranavaí, a Alimentos Mil, que produz mandioca temperada pronta para fritar, croquete de mandioca e uma massa de uso culinário. Hoje, mais quatro empresas do Paraná entraram no mercado, mas todas compram a matéria-prima de produtores da região de Paranavaí.
O mercado está em franco crescimento, afirma o diretor da Alimentos Mil, Maurício Gehlen. A empresa mantém 32 trabalhadores e processa 12 toneladas de raízes por dia. No início, a produção não passava de mil quilos/dia. Até o fim do ano, a previsão é dobrar a produção e gerar pelo menos 50 empregos diretos, diz Gehlen. O projeto inclui ainda a produção de nhoque.
A mandioca em palito, pronta para fritar, é a que mais vende. Segundo Gehlen, o produto é bem-aceito em bares, hotéis, restaurantes e supermercados, principalmente em São Paulo, onde a preferida é a mandioca de polpa amarela. Os subprodutos da mandioca de polpa branca têm a preferência nos demais estados.
Para produzir mandioca com a qualidade exigida pela indústria, são necessários cuidados especiais por parte do agricultor. Na hora de plantar é preciso estar atento a critérios como a busca de variedades com baixo teor de cianeto, ácido presente na maior parte das plantas. O produtor deve também buscar orientações técnicas e verificar a idade da planta, que tem o melhor ciclo produtivo entre sete e 12 meses.
Ele explica que a indústria é exigente na qualidade da matéria-prima porque o consumidor final também é exigente. O produto deve ser colhido e armazenado em caixas, evitando que as raízes amassem e liberem ácido cianídrico contido entre as cascas. Raízes tortas ou muito longas também são descartadas. Além disso, as raízes precisam ter bom cozimento durante todo o ano. Muitos consumidores, cansados de comprar mandioca que não cozinha, desistiram de comer o produto, lamenta.





