Produção de azeite de oliva em Portugal cai 10%
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sexta-feira, 02 de abril de 1999
Por Jair Rattner, especial para a AE 
Lisboa, 02 (AE) - A produção do azeite de oliva, principal produto da pauta de exportações portuguesa para o Brasil, caiu 10%. Segundo o Instituto Nacional de Estatística de Portugal, serão 381 mil hectolitros (1998/1999) contra 424 mil hectolitros da safra passada. No entanto, segundo a avaliação do instituto, o azeite deverá ter uma qualidade superior à do ano passado.
De janeiro até novembro de 1998 - a última estatística disponível no Instituto de Comércio Externo de Portugal - o azeite representou 15,9% das exportações para o Brasil. Foram 11.287 toneladas, vendidas por cerca de 35 milhões de dólares. Queda de 17% em relação ao mesmo período de 1997: de janeiro a novembro o Brasil importou 12.541 toneladas de azeite, no valor de 41 milhões de dólares.
De acordo com a Associação do Azeite de Portugal a queda na produção não deve afetar as exportações para o Brasil. "O que pode acontecer é a troca do azeite pelo de melhor qualidade", afirma Maria Oliveira Fernandes, secretária geral da entidade.
Atualmente, as exportações para o Brasil são de dois tipos de azeite. O virgem, de melhor qualidade, com acidez de até 1 grau, e o chamado azeite de oliveira, que é uma mistura de azeite refinado com virgem, com maior acidez."A produção de menos azeite e de melhor qualidade vai diminuir a diferença de preços, o que pode ampliar as exportações do azeite virgem, além disso, o produto de segunda linha não vai ser tão barato e não vai haver muito azeite virgem para a mistura".
Segundo Maria Fernandes, a atual crise no Brasil não afetou as exportações. "As dificuldades cambiais não chegaram a prejudicar as vendas". Ela conta que o mercado de azeite português no Brasil não é estável. "Temos um momento alto de vendas no final de outubro e começo de novembro e pára depois do Natal".
Burocracia - Para Maria Fernandes, o maior problema dos exportadores portugueses tem sido a burocracia. "Tivemos carregamentos que ficaram mais de um mês no porto de Santos esperando a classificação na pauta para serem enviados aos compradores". Ela não arrisca previsões quanto às exportações para o Brasil. "No mercado brasileiro o preço é um elemento decisivo, podemos não ter o crescimento do azeite virgem do ano passado, mas acredito que vamos manter o nível de exportações".


