São Paulo, 15 (AE) - Os principais fabricantes de alumínio do País - Alcoa, CBA, Aluvale, Billington e Alcan - refizeram o planejamento e trabalham com uma projeção de queda de 10% na produção deste ano para o mercado interno. Isso significa que das 710 mil toneladas consumidas no ano passado, o País poderá deixar de absorver 71 mil toneladas, fechando 99 com 639 mil toneladas.
Tanto no caso do alumínio como nos de outros metais - chumbo, zinco e níquel -, a saída poderá ser o mercado externo. Por tratar-se de commodities, o mercado internacional poderá absorver a diferença. Em 98 o Brasil exportou 490 mil toneladas, com preços estabelecidos pela Bolsa de Londres.
Na semana passada, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Claudio Considera, ameaçou reduzir as alíquotas de importação para equilibrar os preços do mercado interno. "As medidas não fazem sentido", afirmou ontem o presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Adjarma Azevedo. "Já investimos US$ 5 bilhões desde o início dos anos 90."
Segundo ele, o alumínio vendido no mercado interno segue os preço da Bolsa de Londres, pelo dólar do dia. "Não dá para trabalhar com o dólar valendo R$ 1,55, como propôs o governo na reunião de 3 de março, com os produtores de matérias-primas", contou.
Azevedo, que pretende enviar uma carta ao secretário sobre os feitos do setor, nos próximos dias, diz que só dá para trabalhar com o dólar sugerido pelo governo caso seja fixado sobre a mesma base o dólar das dívidas, empréstimos externos das empresas, custos portuários, energia elétrica e outros custos. "O próprio Banco Central não tem o dólar pedido pelo governo aos fornecedores da indústria automobilística", disse. No início de março, quando o secretário se reuniu com os fornecedores, o dólar fiscal estava acima dos R$ 2,00.
Investimentos - Para Azevedo, se o governo reduzir as alíquotas do alumínio primário não haverá nenhum problema, pois os preços do mercado interno - US$ 1.242 - são os mesmos do mercado internacional. Agora, disse, se forem contemplados com a redução das alíquotas os semimanufaturados, a indústria pode até interromper os US$ 400 milhões de investimentos que estão sendo realizados no setor. "Será um desastre para a indústria no mercado interno", disse Azevedo.
Ele argumenta que os semimanufaturados necessitam de escala de produção, pois são chapas de alumínio, acima de 100 mil toneladas. "É difícil quem faça 500 mil toneladas", disse. Outra grande ameaça à indústria nacional, observa, é a crise mundial no setor de alumínio, que opera com grande capacidade ociosa.
"Se as empresas começarem a vender seus produtos operando com custos marginais será possível que os preços cheguem ao mercado interno com preços abaixo dos que são adotados", afirmou. "Sem margem de lucro por parte dessas companhias, já que os custos fixos podem ser repartidos por uma escala maior de produção, a entrada desses produtos poderá desestruturar toda a indústria nacional."

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