Produção de alimentos cresce 8%
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 30 (AE) - Os resultados da indústria de alimentos superaram todas as expectativas dos fabricantes. Em agosto, a produção física subiu 8% em comparaçao ao mês anterior
batendo recorde. Foi em março do ano passado que o setor apresentou o último crescimento neste patamar. O nível de empregos seguiu a mesma trajetória e aumentou 1,5%. A alta mais recente foi há quase dois anos e meio, chegando a 1,2%.
Mais uma vez os cálculos foram revistos e a projeção de um aumento de produção para o ano de no máximo 3% salta para 4 5%. Todos os índices apontam nesta direção. Tomando como base idêntico mês do ano passado, a indústria produziu 10% acima do volume computado em agosto de 1998 e o acumulado dos últimos doze meses fecha empatado com o resultado obtido em agosto, ou seja, aumento de 8%.
Os primeiros oito meses encerram com um índice um pouco mais modesto, porém alto. O acumulado entre janeiro e julho sai de 2,5% para 3,4% no mês seguinte. "O mercado continua firme", comenta Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Evolução das exportações, queda nas taxas de juros e concessão de crédito foram os principais fatores apontados pelo economista para essa tendência de alta que vem se mantendo. "A política econômica tranquiliza o consumidor", acredita.
Jacques Gontijo Alves, diretor presidente da Itambé, fabricante de leites, iogurtes e doce de leite e segunda no ranking, concorda com Ribeiro. A empresa mineira deverá ter um acréscimo de 5% no volume de leite processado e o faturamento deverá saltar de R$ 600 milhões em 1998 para R$ 670 milhões neste ano. "O consumidor está comprando mais", afirma.
A Camil Alimentos S/A, segunda maior beneficiadora de arroz do País, também estima crescimento acentuado. "A receita tende a aumentar 20% e o volume físico, 30%", afirma o diretor Jacques M. Quartiero . No ano passado a Camil obteve uma receita bruta da ordem de R$ 298 milhões, lembra o diretor. Em 1998 a Camil produziu 504 mil toneladas de arroz e 38 toneladas de feijão.
Marta Angelo Gabira, supervisora de marketing do Frigorífico Marba, trabalha com a perspectiva de aumento de 20% no volume produzido sobre o ano anterior. Maior produtor de mortadela do País e quinto na fabricaçao de carne industrializada, o Marba é dono de uma receita de R$ 85 milhões. "A mortadela é nosso carro-chefe e corresponde a mais de 70% do faturamento", diz Marta.
A Danone S/A - líder no segmento de refrigerados e vice-líder em biscoitos - projeta um aumento do volume físico produzido da ordem de 5%. Os biscoitos, prevê Onofre Portella, gerente de assuntos corporativos, terão um incremento maior. "A produção cresce 10% enquanto o faturamento sobe 12%", projeta. No ano passado, a Danone obteve uma receita de R$ 560 milhões.
Exportações - As vendas de carne de frango ao mercado externo, em agosto, aumentaram. Os volumes embarcados de frangos inteiros atingiram 40.621 toneladas, representando crescimento relativo de 29% sobre o mesmo mês do ano passado, enquanto a performance dos cortes de frangos registra números mais expressivos, atingindo a 35.695 toneladas, crescimento de 70% sobre igual mês do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de frango (Abief).
A performance global do mês de agosto deste ano atingiu a 76.316 toneladas, o melhor desempenho do ano, representando crescimento relativo de 45% sobre igual mês do ano passado. Nos oito primeiros meses deste ano foram embarcadas 720 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 900 milhões, crescimento de 21% sobre o mesmo período do ano anterior.


