Rio, 10 (AE) - A produção da indústria paulista caiu 4 2% em 1999, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a pior redução desde o início do Plano Real, por causa dos efeitos da moratória russa, ainda em agosto de 1998. A queda acumulada de 1994, quando foi lançado o plano, até dezembro, é de 1,7%. No mesmo período, a produção de toda a indústria nacional aumentou 4,6%.
A gerente de Análise de Dados da Indústria do IBGE, Miriam Ferreira, explicou que é justamente a importância da indústria paulista o que a torna mais vulnerável às crises do País na década - tanto os choques externos como as crises russas e asiática, como o Plano Collor. A retenção do dinheiro nos bancos, em 1990, causou uma queda de 11,3% na atividade das fábricas do Estado - a maior da década. "Por ser muito diversificada, quando acontece algo na economia, a indústria de São Paulo é atingida mesmo", afirmou Miriam.
O desempenho da indústria paulista em 1999 foi o pior entre as regiões pesquisadas pelo IBGE. A queda acumulada desde o ano anterior chega a 6,6%. No ano passado, a produção de bens de consumo duráveis e de equipamentos para outras empresas, de peso muito grande no Estado, foi atingida pela alta dos juros, iniciada a partir da moratória da Rússia, no fim de 1998.
Recuperação - Os dados do IBGE referentes a São Paulo mostram aumento da produção de 5% no último trimestre de 1999 e de 12,2% apenas em dezembro, em comparação com os mesmos períodos do ano anterior. Mas Miriam lembra que estes percentuais são grandes justamente porque, no final de 1998, a atividade nas fábricas paulistas estava muito deprimida, também por causa da crise russa. "A base de comparação é muito baixa"
lembrou.
Mesmo assim, a analista acredita que a indústria do Estado tende a acompanhar a expectativa de crescimento a partir do fim do ano passado, mostrada em outras regiões pelo IBGE. Em grande parte pela base de comparação baixa, os dados de dezembro mostram recuperação do complexo industrial metal-mecânico, o mais atingido ao longo do ano.
As piores quedas de atividade em 1999 foram na indústria mecânica (15,6%), de material de transporte (8,4%), de material elétrico e comunicações (7%) e metalúrgica (6,7%). Mas no último mês do ano, estes setores foram os que mostraram melhores resultados, com aumento de 45% da atividade de material de transporte, 25,3% do setor metalúrgico, 18,5% do segmento metal-mecânico e 8,6% do material elétrico e de comunicações.
Exportações e petróleo - Se prejudicou a indústria paulista, ao obrigar a novas altas dos juros, a desvalorização do real contribuiu para que a indústria no Espírito Santo tivesse o maior aumento de produção em 1999. Fortemente baseado nas exportações, o setor expandiu-se 9%. Em segundo lugar, ficou a indústria do Rio de Janeiro, com crescimento de 6,1% da produção, por causa do aumento da extração de petróleo e gás.

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