Rio, 14 (AE) - A produção da indústria paulista caiu 7 9% de agosto do ano passado, quando a sua atividade começou a reduzir-se por causa da crise econômica, até julho, de acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas nos primeiros sete meses deste ano, a queda ficou em 8,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A retração acumulada no ano foi maior do que o índice apurado para a indústria em todo o País, de 3,5%. A queda na indústria paulista superou a média brasileira também na comparação entre julho do ano passado e julho deste ano, ficando em 9,4%, enquanto que a retração no Brasil foi de 5,3%. "O movimento se intensificou e até nos surpreendeu, porque esperávamos uma melhoria", afirmou a gerente de Análise de Dados da Indústria do instituto, Miriam Ferreira.
Miriam explicou que a produção da indústria paulista, assim como a de Minas Gerais, foi a mais atingida pelos juros altos da política econômica do governo, desde o ano passado. A medida inibe o consumo de dois tipos de produtos cuja fabricação têm grande peso nestes dois Estados: duráveis e bens de capital. O primeiro ramo, porque os consumidores evitam financiamentos e dívidas longas, e o segundo, porque novos investimentos que exigem estes equipamentos são suspensos pelas empresas. Os ramos que mais influenciaram o resultado negativo de julho foram os de mecânica, cuja produção decaiu 22,3%, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e material de transporte, que teve retração de 19,6%, na mesma base de comparação. O desempenho entre janeiro e julho mostrou queda de 19,4% na produção da indústria mecânica, de 18% no ramo de material de transporte, de 14,5% no metalúrgico, e de 13,1% no de comunicações. Aumentos de produção - "Estes ramos foram influenciados, principalmente, pelos recuos na fabricação de escavadeiras, automóveis, tubos, canos de aço com costura e transformadores de alta tensão", explicou o boletim do IBGE. Nos sete primeiros meses do ano, o instituto registrou alta em outros oito ramos da indústria paulista. Os de maior peso que tiveram resultados positivos foram o farmacêutico (6,2%), têxtil (2,9%), vestuário (4,1%) e produtos alimentícios (1,2%).
Segundo Miriam, o desempenho do setor farmacêutico e dos alimentos mostra que os consumidores estão restringindo seus gastos a produtos não-duráveis e de baixo valor. No caso da expansão da produção de roupas e tecidos, as fábricas destes ramos foram beneficiadas pela alta do dólar no início do ano, que provocou o aumento do valor das roupas importadas.
Os índices de atividade industrial de São Paulo devem melhorar no segundo semestre, previu Miriam, por causa das medidas tomadas pelo Banco Central para reduzir os juros para o consumidor (redução do nível de dinheiro dos depósitos a prazo e à vista que os bancos têm que reservar compulsoriamente para o BC). "Se isso acontecer realmente, vai beneficiar a indústria paulista", avisou a gerente do IBGE.
O resultado da indústria do Estado em julho foi o segundo pior apurado nas regiões pesquisadas pelo IBGE. A maior queda, de 10,8%, foi registada no Paraná, por causa das retrações de 13,4% no setor de alimentos e de 27,1% no de material elétrico e de telecomunicações.
Minas Gerais, após 13 meses de retração contínua, teve crescimento de 3,5% em julho, como resultado do aumento da produção de material de transporte (19,5%) e produtos alimentares (46,4%).
Rio de Janeiro - A indústria do Rio de Janeiro, que teve alta de produtividade contínua nos últimos meses, reduziu o ritmo de crescimento em julho, de acordo com o IBGE. A alta foi de 1%, enquanto que o aumento acumulado desde janeiro chegou a 6 2%. O resultado de julho, como os anteriores, foi sustentado pelo desempenho do setor extrativo mineral, que aumentou 15,7% sua produção, em consequência do aumento da extração de petróleo e gás da Bacia de Campos.

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